Resident Evil: Tudo sobre a maior saga de survival horror!

Publicado por Vinicius Miranda em

Resident Evil é a maior e mais famosa franquia do gênero survival horror do mundo dos games. Neste artigo separamos tudo o que você precisa saber sobre a franquia!

Como toda grande saga, Resident Evil sofreu por inúmeras transformações ao longo dos anos e chegou a até mesmo não ser survival horror por algum tempo, mas felizmente voltou às origens nos jogos mais recentes. Vamos conferir aqui a evolução dessa franquia.

Sweet Home (1989 – CAPCOM)

Em 1989, foi lançado para o Famicom o game de RPG com temática de horror chamado Sweet Home. O jogo consistia em um grupo de jovens presos numa mansão mal-assombrada, e tendo que encontrar uma forma de escapar. A franquia Resident Evil surgiu da ideia do produtor de Sweet Home, Tokuro Fujiwara, de produzir algo estilo no próprio Sweet Home, porém aproveitando das maiores capacidades da tecnologia na época.

Quem assumiu o comando do projeto foi Shinji Mikami, que com base em Sweet Home, criou o que se tornaria a franquia Biohazard. Além de Sweet Home, podemos encontrar inspiração em franquias como A Noite dos Mortos Vivos de George Romero, e Alone in the Dark, que já falamos em outro artigo sobre a sua trajetória e influência no mundo do survival horror, inclusive em Resident Evil.

A ideia inicial era fazer praticamente um Sweet Home 3D. Porém, na forma de uma franquia nova. Pensando nisso, toda a trama e mecânicas foram pensadas na temática de um grupo de pessoas presas em uma mansão. E depois de diversos esboços, tentativas e erros, o primeiro game da franquia Biohazard começou a tomar forma.

Caso esteja estranhando o nome diferente, acontece que, no Japão, a franquia ficou conhecida como Biohazard, que é um termo usado para definir locais e situações de risco de contaminação ou coisa parecida. Dá pra imaginar porque a franquia recebeu esse nome.

Mas por que a saga não manteve o nome Biohazard fora do Japão? O motivo disso é que, nos Estados Unidos, já existia uma banda de rock popular formada nos anos 80 chamada Biohazard. Sendo assim, para evitar problemas de direitos autorais, a Capcom optou por mudar o nome. E assim surgiu o icônico título de Resident Evil.

RESIDENT EVIL

Resident Evil (1996 – Capcom)

O primeiro game da saga foi lançado em 1996 e nos levou pela primeira vez para as montanhas Arklay. Casos bizarros envolvendo canibalismo e desaparecimentos são relatados na região, o que leva à equipe tática conhecida como S.T.A.R.S. a entrar em ação. Porém, os S.T.A.R.S. perdem contato com a sua primeira equipe enviada ao local, a Equipe Bravo. O que leva a Equipe Alfa a ser enviada pra lá, para encontrar a Equipe Bravo e descobrir o que está acontecendo. Mas ao chegarem no local, eles são atacados por cães zumbis, sendo obrigados a fugirem para uma mansão misteriosa. Mal sabiam eles que o pesadelo só estava começando.

O game é dividido em duas campanhas. Uma onde controlamos Chris Redfield, e outra onde controlamos Jill Valentine. A história é basicamente a mesma independente de quais personagens você escolher, salvo algumas diferenças pontuais. Por exemplo, a campanha do Chris leva por um caminho mais difícil que a campanha da Jill. Fora isso, Chris tem como parceira em sua campanha Rebecca Chambers, membro sobrevivente da Equipe Bravo. Já Jill tem como parceiro Barry Burton, um companheiro da Equipe Alfa. Ambas as campanhas se complementam em determinados momentos, porém a grande maioria dos acontecimentos são os mesmos nas duas, tornando difícil identificar qual campanha é canônica.

Os gráficos são OK para a época, com modelos de personagens poligonais e dublagem robótica. Os cenários são variados, trazendo diversas localidades da Mansão Spencer e seus laboratórios secretos. A câmera é fixa, alterando automaticamente conforme vamos avançando, e os cenários são pré-renderizados. A movimentação dos personagens são estilo tanque, ou seja, nós “apontamos” os personagens em uma direção para, aí sim, eles andarem. Os combates são basicamente mirar e atirar.

Por conta da câmera fixa, apenas apontar na direção do inimigo é o bastante para atingí-lo na hora de atirar. Porém, não é possível andar e atirar ao mesmo tempo. A munição, por sua vez, é escassa. Sendo assim, é necessário ter cautela na hora de desperdiçar suas balas contra determinados inimigos. O que também é escasso é o espaço de itens no seu inventário. Porém, em compensação, existem despensas posicionadas em pontos específicos do mapa, próximos de máquinas de escrever que servem como save points. Para salvar o seu progresso, porém, é necessário ter ink ribbons para usar. Ou seja, até mesmo para salvar o game é necessário ter cuidado.

Outro elemento interessante que se tornaria característico de Resident Evil é o backtracking e os puzzles. Aqui, é caminho a se seguir não é claro, e temos que ir avançando, realizando puzzles e conseguindo itens, para aí sim ir liberando portas e outros tipos de caminhos para avançar na aventura. Por conta desse tipo de progressão, o ir e vir entre os cenários se torna algo muito comum em jogos dessa franquia. Isso tudo enfrentando diversos tipos de inimigos.

Resident Evil (1996 – Capcom)

Algo interessante nesse título são os finais. Ao longo da campanha, existem momentos em que nossas ações podem determinar caso alguém viva ou morra. E, obviamente, isso afeta o final. Existem um total de 8 finais contando as duas campanhas. Tanto a abertura como os finais foram feitos com atores reais em live action, fato esse que nunca mais foi repetido na franquia.

Resident Evil foi um enorme sucesso, definindo tendências que seriam repetidas por diversas outras franquias por muitos anos, até hoje. Se tornou um marco na história dos games, e mesmo que não tenha sido o primeiro, ele acabou ganhando o título de “O Pai do Survival Horror”, tamanho é o seu papel dentro da indústria.

Foi lançado em 1996 pro PS1 e PC. Em 1997 ele também ganhou uma versão para Sega Saturn. Poucos meses depois, ainda em 1997, o game ganhou uma versão Director’s Cut lançada para o PS1, que incluiu um novo modo de jogo que altera as localizações dos inimigos e itens, além de novas roupas pros personagens e novos níveis de dificuldade. Em 1998, uma segunda versão foi lançada também para o PS1, chamada Director’s Cut Dual Shock Ver, que é basicamente o Director’s Cut, porém com a capacidade de se jogar usando o controle DualShock (que era novidade na época). Em 2006, comemorando 10 anos da franquia, o primeiro game também ganhou um port para Nintendo DS chamado de Resident Evil: Deadly Silence. Esse port trouxe novas roupas, gráficos aprimorados, gameplay adaptada para o DS, além de um novo modo de luta de facas, onde podemos jogar o game em primeira pessoa. Em 2002, Resident Evil 1 também ganhou um Remake, que falaremos mais pra frente.

RESIDENT EVIL 2

Resident Evil 2 (1998 – Capcom)

O sucesso de Resident Evil é indiscutível, e uma sequência era inevitável. Sendo dirigido agora por Hideki Kamiya, Resident Evil 2 começou a ser produzido. Mas demorou um pouco pra sair de fato. O game trocou os cenários da mansão e montanhas para a fictícia cidade de Raccoon City e sua delegacia de polícia. O sistema de escolha de personagens voltaria, mas dessa vez com personagens inéditos. Escolheríamos entre o policial Leon Scott Kennedy e a motoqueira Elza Walker. O desenvolvimento do game seguiu, porém com diversos problemas. A previsão era que Resident Evil 2 fosse lançado em maio de 1997. Porém, os desenvolvedores estavam totalmente insatisfeitos com o produto, a ponto de tomarem a decisão de parar com o desenvolvimento e recomeçar a produção do zero. E assim, essa versão inicial de Resident Evil 2 foi descartada e substituída pelo que viríamos a conhecer de fato. Hoje em dia, essa versão protótipo de Resident Evil 2 é conhecida como Resident Evil 1.5. Dentre as maiores mudanças do protótipo pra versão final foi, obviamente, a substituição da personagem Elza Walker pela Claire Redfield.

Resident Evil 1.5 (cancelado – Capcom), a versão protótipo de Resident Evil 2

A versão final do jogo saiu de fato em 1998. Assim como sua versão protótipo, aqui vamos para Raccoon City. Nossos novos protagonistas são o policial novato Leon Scott Kennedy e a jovem Claire Redfield, irmã de Chris. Ambos estão chegando em Raccoon City, Leon pro seu primeiro dia de trabalho e Claire para encontrar o seu irmão. Porém, ambos não sabiam que a cidade agora estava infestada de zumbís e outras criaturas, começando assim uma luta por sobrevivência.

O game é uma evolução natural do primeiro jogo. Cenários pré-renderizados de maior qualidade, modelos de personagens melhor definidos, novos inimigos, maior quantidade de cenários. O modelo de backtracking, exploração e puzzles continua, assim como o sistema de armas e munição escassa. Uma diferença notável em relação ao game anterior é o modo história. Novamente podemos escolher entre 2 personagens pra jogar a campanha, sendo eles Leon ou Claire. Porém, existe o sistema de cenários A e B, onde acompanhamos os pontos de vistas de cada personagem, ao invés de vivenciar a exata mesma história com os dois, como era no jogo anterior. Finalizando o cenário A com o Leon, liberamos o cenário B da Claire, e vice-versa. Cada cenários A e B têm certas diferenças de enredo, como encontros acontecendo em locais diferentes e até mortes de personagens. Fora isso, junto dessas campanhas ainda tem um sistema chamado de Zapping System, onde o que você faz no cenário A de um personagem afeta diretamente o cenário B do outro personagem.

Resident Evil 2 (1998 – Capcom)

Além da campanha principal, o game ainda tem os modos The 4th Survivor e The Tofu Survivor. Ambos os modos consistem em atravessar os cenários, enfrentar inimigos e chegar no seu objetivo antes do tempo acabar. No 4th Survivor controlamos o soldado da Umbrella HUNK, enquanto no Tofu Survivor controlamos o personagem cômico Tofu (que é literalmente um tofu com mãos e pés). Versões posteriores também vieram com o modo Extreme Battle, onde os jogadores podem controlar Leon, Claire, Ada Wong e Chris Redfield em uma luta por sobrevivência.

Resident Evil 2 foi um sucesso estrondoso, sendo considerado por muitos o melhor game da franquia por muitos anos. Foi lançado em 1998 para o PS1, tanto uma versão inicial como a versão DualShock Ver., que saiu meses depois, além de também ter saído pro portátil Game.com. Em 1999 ele também saiu pra PC, Dreamcast e Nintendo 64. Inclusive, a versão de Nintendo 64 foi extremamente elogiada por conta da Capcom ter conseguido inserir um game tão grande em um cartucho de Nintendo 64, cujas capacidades de armazenamento eram bem limitadas. Em 2003 ele também ganhou um port pro Nintendo GameCube. Em 2019, o jogo também ganhou seu Remake, que será abordado mais pra frente.

RESIDENT EVIL 3: NEMESIS

Resident Evil 3: Nemesis (1999 – Capcom)

Depois de Resident Evil 2, a Capcom começou a produzir 2 games da saga em paralelo. Um deles seria o Resident Evil CODE Veronica, e outro seria um spin-off mais voltado para a ação. No entanto, o CODE Veronica já estava sendo idealizado para a próxima geração de consoles. E como eles ainda queriam trazer um Resident Evil da linha principal para o PS1, eles decidiram converter esse spin-off para o que hoje conhecemos como Resident Evil 3. No comando da produção estava novamente o criador da franquia, Shinji Mikami.

A história se passa 1 dia antes e 1 dia depois de Resident Evil 2. Controlamos Jill Valentine, que continuava na cidade. Depois dos eventos do primeiro jogo, os S.T.A.R.S. sobreviventes tentaram alertar a população sobre a ameaça da Umbrella, a empresa farmacêutica por trás do vírus que transforma pessoas em zumbís e monstros. Porém, eles foram desacreditados e os S.T.A.R.S. foram desfeitos. Todos decidiram sair da cidade para investigar ou encontrar um local seguro, mas Jill decidiu permanecer na cidade para buscar respostas por ali mesmo. Mas quando o surto zumbi começou, Jill agora busca sobreviver e encontrar uma forma de escapar.

O game segue os padrões dos anteriores, com câmera fixa, cenários pré-renderizados, backtracking, munição escassa e puzzles. Os modelos de personagens melhoraram também, e os cenários estão mais variados, apresentando novos locais da cidade de Raccoon City, enquanto nós revisitamos cenários do jogo anterior, como a delegacia de polícia. Ao contrário dos outros jogos, aqui não temos duas ou mais campanhas, cada uma controlando um personagem. Temos uma campanha única onde controlamos a Jill quase que o tempo todo. Apenas um único trecho da jogatina que controlamos o mercenário Carlos Oliveira, mas logo depois desse trecho, voltamos para a Jill.

Resident Evil 3: Nemesis (1999 – Capcom)

Outro fator interessante nesse game é um sistema de escolhas. Em pontos específicos, a tela congela e temos que escolher entre duas opções de ação. Dependendo das ações escolhidas, a trama pode seguir caminhos diferentes e até mesmo a finais diferentes. Mas de longe o maior diferencial desse jogo é o Nemesis. Em Resident Evil 2 já tínhamos um inimigo que perseguia os nossos heróis em determinadas partes da história, que seria o Mr. X. No Resident Evil 3, esse conceito foi aperfeiçoado com o Nemesis, que literalmente persegue a Jill o game inteiro. Nemesis chama a atenção por ser um vilão implacável e imprevisível, podendo aparecer em qualquer lugar, a qualquer momento. É possível derrubá-lo, e assim conseguir recompensas, mas ele sempre volta, e na maioria das vezes, a melhor opção é simplesmente fugir. Esse conceito de inimigo perseguidor se tornaria uma característica recorrente da saga, voltando em alguns jogos posteriores.

Também foi nesse jogo que teríamos a introdução do Modo Mercenaries, onde podemos controlar Carlos e outros mercenários em missões de matar o máximo de inimigos e salvar o máximo de civis possível dentro de um tempo limite. Esse modo se tornaria recorrente dentro da franquia.

Resident Evil 3: Nemesis foi outro sucesso, sendo amado por muitos, mas recebendo certas críticas por focar um pouco mais em elementos de ação do que os jogos anteriores. Foi lançado em 1999 pro PS1, e em 2000 recebeu ports pra PC e Dreamcast. Em 2003, o jogo também foi lançado pro GameCube. Em 2020, um Remake foi lançado, que será mais detalhado mais pra frente.

RESIDENT EVIL: CODE VERONICA

Resident Evil: CODE Veronica (2000 – Capcom)

Depois que descobriram que Resident Evil 2 não receberia um port pro Sega Saturn, Shinji Mikami e sua equipe começaram a produzir um game totalmente novo para ser lançado pro Dreamcast. Esse game seria o Resident Evil CODE Veronica, produzido pra ser a verdadeira sequência de Resident Evil 2. Ele foi feito em paralelo com Resident Evil 3, que a princípio era pra ser um spin-off, mas foi convertido em um game da linha principal e lançado antes do CODE Veronica, devido a Capcom ainda querer lançar um jogo principal da saga no PS1. Por conta disso, CODE Veronica sofreu atrasos e só foi lançado em 2000.

O jogo trás de volta Claire Redfield, dessa vez atacando bases da Umbrella na Europa, em busca de encontrar seu irmão Chris. Ela acaba sendo capturada e levada prisioneira para a Ilha Rockfort, comandada pela Família Ashford. Porém, o local é atacado, e o T-Vírus é espalhado pela ilha. Claire agora tem que escapar daquele lugar à qualquer custo.

Temos uma evolução notável em termos gráficos em relação aos jogos anteriores. Sendo lançado dessa vez para a 6ª geração de consoles, CODE Veronica manteve o estilo de câmeras e movimentação dos personagens, porém com modelos mais bem definidos e menos poligonais. Os cenários também não são mais pré-renderizados, mas modelados em 3D, permitindo que a câmera se mova com mais liberdade, apesar de ainda não sermos capazes de controlá-la. O sistema de backtracking, puzzles, munição escassa, e outros elementos vindo dos jogos anteriores retornaram praticamente iguais. A ambientação e trilha sonora também sofreram algumas alterações. Até então, a estética visual e sonora era mais voltada para os padrões americanos. Dessa vez, a estética escolhida foi mais para um lado gótico europeu, para acompanhar a nova ambientação.

Resident Evil: CODE Veronica (2000 – Capcom)

Assim como em Resident Evil 3, CODE Veronica possui apenas uma campanha única. Porém, ela é dividida em duas metades. Uma se passando na Ilha Rockfort onde controlamos Claire. E outra se passando na base da Umbrella da Antártida, onde controlamos Chris Redfield.

Resident Evil CODE Veronica não vendeu bem em comparação aos games anteriores da saga. Mas foi um dos jogos mais vendidos do Dreamcast, além de ser considerado um dos melhores games da plataforma até então. Com esse sucesso, logo ele recebeu ports pra outras plataformas. Foi lançado em 2000 pro Dreamcast, e em 2001 ele recebeu uma versão expandida chamada Resident Evil: CODE Veronica X, que trouxe gráficos aprimorados e novas cenas detalhando mais a história. Essa versão também seria lançada para o PS2 e em 2003 pro GameCube. O jogo ainda ganharia uma versão remasterizada para PS3 e Xbox 360, lançada em 2011.

RESIDENT EVIL (REMAKE)

Resident Evil (2002 – Capcom)

Entre 2000 e 2002, a Capcom iniciou uma parceria com a Nintendo, onde eles produziriam jogos que seriam lançados exclusivamente para o Nintendo GameCube. E um desses projetos seria um Remake completo do primeiro Resident Evil, lançado em 2002. O desejo de refazer o primeiro jogo partiu do próprio Shinji Mikami, que afirmava que o Resident Evil original não envelheceu tão bem quanto os outros, e que as capacidades técnicas do GameCube permitiriam que ele trouxesse pro game a sua visão original, que ele não pôde trazer na época por conta das limitações do PS1.

O game trás a exata mesma história do primeiro jogo da saga, com a Equipe Alfa dos S.T.A.R.S. indo para as Montanhas Arklay investigar os casos misteriosos de desaparecimentos e assassinatos, e indo parar presos na Mansão Spencer. Nós escolhemos entre os personagens Chris e Jill pra seguir com a aventura.

Em termos gerais, o conteúdo é praticamente o mesmo do original, porém atualizado. As câmeras fixas continuam, assim como todo o sistema de gameplay típico dos jogos até então. As campanhas do Chris e da Jill continuam praticamente as mesmas, trazendo os mesmos eventos, porém, com mudanças e melhorias visuais graças às novas tecnologias. Os modelos de personagens estão atualizados e mais realistas. A dublagem está mais profissional, os cenários estão belíssimos, e os itens também estão mais variados. O game também ganhou acréscimos de história, originalmente planejados pro jogo original, porém que foram descartados na época. Por exemplo, aqui foi introduzido o subplot da Família Trevor, e a personagem Lisa Trevor. As cenas também estão mais caprichadas e cinematográficas, se assemelhando mais ao CODE Veronica. O número de finais possíveis também aumentou.

Resident Evil (2002 – Capcom)

Resident Evil Remake é basicamente a versão definitiva do Resident Evil 1. Trazendo tudo o que o primeiro jogo trouxe, porém melhorado tanto em termos visuais, como em termos técnicos e ainda trazendo conteúdo novo. Resident Evil Remake foi considerado o game mais bonito da franquia até então, e oficialmente substituiu o jogo original na timeline da saga.

Como dito o game foi lançado para o GameCube em 2002. Talvez por conta da exclusividade, ele não vendeu tão bem quanto o esperado. Mesmo assim, em 2008 ele recebeu um port pro Nintendo Wii. Em 2014, o jogo ganhou uma versão remasterizada em HD, sendo lançado para PS3, Xbox 360, PS4, Xbox One e PC. Em 2019, essa versão remasterizada também foi lançada para o Nintendo Switch.

RESIDENT EVIL 0

Resident Evil 0 (2002 – Capcom)

A ideia de fazer um prequel do primeiro jogo veio algum tempo depois do lançamento do Resident Evil 2. A princípio o game seria produzido para o Nintendo 64, com os mesmos padrões gráficos e mecânicas dos primeiros jogos da franquia. A produção começou em 1998, mas as limitações de armazenamento dos cartuchos do Nintendo 64 tornaram difícil tornar realidade tudo o que buscavam nesse novo título. Sendo assim, o projeto foi engavetado, e ressuscitado por volta de 2 anos depois, quando a Nintendo lançou o seu novo console, o GameCube. Sendo parte do acordo de exclusividade da Capcom e da Nintendo na época, Resident Evil 0 foi completamente refeito, dessa vez adaptando a história para casar mais com o Resident Evil Remake. E assim, em 2002, alguns meses depois do Remake, Resident Evil 0 foi lançado.

A história foca na Equipe Bravo dos S.T.A.R.S., um dia antes dos eventos do primeiro jogo. Como dito, os S.T.A.R.S. foram enviados para as Montanhas Arklay para investigar casos bizarros de desaparecimentos e canibalismo. A Equipe Bravo foi enviada primeiro, entre eles a novata Rebecca Chambers. Enquanto separada do grupo, Rebecca encontra um trem abandonado, e lá ela é atacada por zumbis. Lá também estava o fugitivo Billy Coen, que havia sido condenado à morte pelo assassinato de 23 pessoas. Juntos, Rebecca e Billy são obrigados a se aliar pra escapar daquele local.

Resident Evil 0 (2002 – Capcom)

O jogo mantém os padrões gráficos e de gameplay do Resident Evil Remake. Porém, surgem aqui algumas diferenças. Por exemplo, ao invés de ser duas campanhas, cada uma controlando um personagem, aqui Rebecca e Billy estão juntos quase que o tempo inteiro. Resident Evil 0 possui um sistema de troca de personagens em tempo real, onde podemos controlar ambos quase que simultaneamente. Isso também ajudou na variação de puzzles e exploração de cenários. Além disso, esse game é o primeiro a não apresentar as famosas despensas onde podemos estocar os itens que não carregaremos no inventário. Ao invés disso, temos a opção de deixar os itens e equipamentos no chão para buscá-los quando necessário, fora a opção de trocar de itens com o outro personagem, já que cada um tem seu próprio inventário. Apesar de não ter duas campanhas, o game também possui uma certa divisão, com uma parte da história se passando no trem, e outra no Centro de Treinamento da Umbrella.

Resident Evil 0 foi um sucesso para os padrões de um exclusivo de GameCube. Como dito, ele foi lançado em 2002 pro console da Nintendo. Em 2008, um port pro Nintendo Wii foi lançado. Em 2016, uma versão remasterizada em HD foi lançada para PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One e PC. Em 2019, essa versão remasterizada também foi lançada pro Nintendo Switch.

RESIDENT EVIL 4

Resident Evil 4 (2005 – Capcom)

Enquanto Resident Evil 3 e CODE Veronica estavam sendo produzidos pela equipe comandada por Shinji Mikami, Hideki Kamiya comandava a produção de Resident Evil 4. O game seria lançado como um exclusivo do Nintendo GameCube, como parte da já citada parceria estabelecida entre a Capcom e a Nintendo. Porém, assim como foi com Resident Evil 2, a produção desse jogo foi conturbada, passando por diversas versões ao longo dos anos de desenvolvimento.

A primeira versão de Resident Evil 4 se passaria em um castelo comandado pelo líder da Umbrella, Ozwell E. Spencer, e o protagonista seria um novo personagem, o filho/clone de Spencer chamado Tony Redgrave. Tony ainda teria um irmão gêmeo chamado Paul Redgrave. Essa versão do game seria chamada por alguns de “Stylish Version”, tendo um grande foco em ação voltada no estilo da sua performance de gameplay. Conforme a produção foi se desenvolvendo, a “Stylish Version” foi considerada muito fora do que é considerado um Resident Evil. Porém, ao mesmo tempo, a Capcom achou a ideia boa demais para ser descartada completamente. Sendo assim, foi decidido desvincular essa versão da saga Resident Evil e converter ela em uma nova franquia. Dessa forma nasceu a saga Devil May Cry, com os irmãos Tony e Paul se tornando Dante e Vergil, e Spencer se tornando Sparda. Kamiya passaria a trabalhar em Devil May Cry, enquanto Hiroshi Shibata assumiria o comando do desenvolvimento de Resident Evil 4 a partir daí.

Resident Evil 4 “Stylish Edition”, o protótipo que se tornou Devil May Cry

A segunda versão do jogo receberia o nome de “Castle Version”, trazendo Leon S. Kennedy de volta como protagonista, dessa vez invadindo um castelo da Umbrella atrás de Spencer. Essa versão trazia como diferencial um novo inimigo perseguidor, que seria um monstro com o formato de uma fumaça escura. E foi justamente esse inimigo, que serviria como um “novo Nemesis”, que dificultou o desenvolvimento dessa nova versão. Ele era simplesmente muito difícil de se animar usando as tecnologias da época. Sendo assim, novamente tiveram que mudar os planos, levando à terceira versão do projeto, o chamado “Hallucination Version”.

Resident Evil 4 “Castle Version”

Nessa nova versão, ainda temos Leon dentro de um castelo, mas dessa vez ele estaria infectado pelo Vírus Progenitor, o que o faria sofrer alucinações. Nisso, ele seria atacado por aparentes forças sobrenaturais como bonecas vivas e fantasmas. Mas assim como a versão anterior, essa acabou não indo pra frente por ser considerada ambiciosa demais em questões técnicas, fora que estava levando Resident Evil pra um contexto mais sobrenatural, o que não era a intenção na época. Vendo todas essas dificuldades na produção do game, Shibata deixou a direção do projeto, sendo substituído pelo próprio Shinji Mikami. Curiosamente, o roteiro idealizado tanto para o “Castle Version” como para o “Hallucination Version” acabou levando à criação de mais outro game, chamado Haunting Ground.

Resident Evil 4 “Hallucination Version”

Uma quarta versão foi brevemente idealizada, chamada de “Zombie Version”, que considerou a volta dos zumbis como inimigos principais. Porém, ela foi rapidamente descartada, pois Mikami não queria trazer de volta os zumbis e arriscar o Resident Evil 4 ser “mais do mesmo”. Apenas aí que o que veríamos a conhecer como Resident Evil 4 começou a tomar forma. Todas as versões anteriores do game passariam a ser denominadas pelos fãs como Resident Evil 3.5. Já a versão final de Resident Evil 4 finalmente saiu em 2005.

Ao contrário das suas versões preliminares, a versão final de Resident Evil 4 trás, pela primeira vez, uma história que se passa depois da queda da Umbrella. Leon agora é um agente do governo e é enviado para uma vila remota da Espanha para encontrar a filha do Presidente dos Estados Unidos, Ashley Graham, que foi sequestrada. Nessas investigações, Leon descobre algo estranho naquela região, incluindo os habitantes locais estranhamente hostis e infectados por uma espécie de parasita.

Resident Evil 4 foi um divisor de águas para a franquia em diversos sentidos. Além da sua história e ambientação diferentes, a gameplay sofreu muitas mudanças. A câmera fixa foi abandonada, trocada pela chamada over the shoulder, ou seja, posicionada atrás do personagem, na altura do ombro. Apesar disso, ainda não é possível manuseá-la, então ela se move junto do personagem. O backtracking também foi abandonado, dando lugar a uma estrutura mais linear dividida em capítulos. Ao final de cada capítulo, uma pontuação da sua performance é dada e também é possível salvar o progresso. Outra forma de salvar também é nas tradicionais máquinas de escrever, porém não é mais preciso gastar ink ribbons para isso.

O game também seguiu o que foi introduzido no Resident Evil 0, abandonando de vez as despensas para estocar itens. Em compensação, o inventário (que aqui seria a mala do Leon) é maior. Além disso, outra grande novidade desse game é o Mercador, um personagem que, literalmente, é uma loja ambulante. Com ele, podemos comprar, vender e melhorar nossos itens e equipamentos usando moedas que vamos obtendo com o passar da jogatina. Outro fator novo introduzido aqui são os quicktime events, algo que era “moda” na época, e que voltou em jogos posteriores.

A princípio, esse game tem apenas uma campanha principal, onde controlamos o Leon do início ao fim (salvo um pequeno trecho onde controlamos a Ashley). Porém, ao finalizarmos o jogo pela primeira vez, novos modos são liberados. O Modo Mercenaries voltou, onde podemos escolher personagens do jogo e entrar em partidas onde o objetivo é matar o maior número de inimigos antes do tempo acabar. Outro modo é o Assignment Ada, uma espécie de mini campanha onde controlamos a Ada Wong numa missão de recolher amostras do Las Plagas espalhadas pelo mapa. Em versões posteriores, também foi incluído o modo Separate Ways. Essa sim seria uma segunda campanha onde vivenciamos os eventos do jogo, sob o ponto de vista da Ada.

Resident Evil 4 foi simplesmente aclamado pelo público e pela crítica. Considerado o melhor game da franquia até aqui e um dos jogos mais importantes da história da indústria. Sua estética e estilo de gameplay serviu de base para muitos jogos que surgiram depois, como Dead Space e The Last of Us, e até mesmo franquias de fora do gênero de survival horror como Gears of War. O game chegou a ser nomeado Jogo do Ano em 2005 por diversas plataformas, inclusive a VGA, o considerado principal veículo de premiação da indústria de jogos da época.

Apesar disso, o game ainda assim recebeu algumas críticas, principalmente por ser muito diferente dos jogos anteriores da saga. Seu novo dinamismo flertou bastante com o gênero de ação, o que incomodou alguns fãs. Mal sabiam eles que isso seria o princípio de uma fase ainda mais controvérsia da franquia.

Resident Evil 4 (2005 – Capcom)

Como dito, Resident Evil 4 saiu em 2005 como um exclusivo de GameCube, graças a um acordo de parceria entre a Capcom e a Nintendo. E isso acabou sendo motivo de desavenças. Shinji Mikami deixou claro em entrevistas da época que ele fazia questão de honrar esse acordo, e que dependendo dele, Resident Evil 4 jamais deixaria de ser exclusivo do GameCube. No entanto, a Capcom viu o sucesso que o jogo estava fazendo e concluiu que não seria benéfico pra eles mantê-lo como um exclusivo, principalmente de uma plataforma que não era a mais popular da época.

Sendo assim, ignorando o posicionamento de Mikami, a Capcom decidiu quebrar o contrato com a Nintendo e lançou Resident Evil 4 para o PS2 no final de 2005. Isso irritou tanto Mikami, que ele decidiu deixar a Capcom definitivamente, nunca mais retornando à franquia a partir daí. Apesar dessa perda, a decisão da Capcom se mostrou certeira em termos comerciais, já que Resident Evil 4 vendeu muito mais e se tornou ainda mais popular no PS2.

Com o passar dos anos, Resident Evil 4 receberia inúmeras versões em diversas outras plataformas, sendo o game da saga com mais versões até o momento. Em 2007, o game saiu para PC e Nintendo Wii. Em 2009, ele recebeu uma versão mobile para dispositivos iOS. Essa mesma versão também foi lançada no mesmo ano pro console brasileiro Zeebo. Em 2011, o game ganhou uma remasterização para o PS3 e Xbox 360. Em 2013, sua versão mobile chegou aos dispositivos Android. Em 2014, uma nova remasterização chamada de Ultra HD foi lançada para PC. Em 2016, essa versão Ultra HD também foi lançada para PS4 e Xbox One, e em 2019 pro Nintendo Switch. Por fim, em 2021, o game ganhou uma versão em Realidade Virtual lançada para o Oculus Quest 2. Essa versão trouxe a experiência de jogar Resident Evil 4 numa câmera em primeira pessoa. Em 2023, Resident Evil 4 ganhou um Remake, que será abordado mais adiante.

RESIDENT EVIL 5

Resident Evil 5 (2009 – Capcom)

Com o sucesso que foi Resident Evil 4, é claro que a Capcom iria continuar com a saga. Resident Evil 5 foi anunciado pouco depois do lançamento do seu antecessor, sendo o primeiro game da saga a chegar na 7ª geração de consoles. Logo em seu trailer de anúncio, o game acabou sendo palco de polêmicas envolvendo racismo. Isso porque tinha sido confirmado que o título se passaria na África, e envolveria Chris Redfield enfrentando habitantes locais infectados. Isso gerou controvérsia pelo fato de ser um protagonista branco matando hordas de pessoas africanas. Porém, as acusações de racismo acabaram sendo consideradas insubstanciais pelas autoridades, e a própria Capcom realizou adaptações no game para tentar amenizar as coisas. Uma dessas alterações, inclusive, foi a inclusão de uma segunda protagonista, a agente africana Sheva Alomar.

O jogo se passa em 2009. Chris agora era um agente antibioterrorista de uma agência conhecida como B.S.A.A.. Ele é enviado para a região africana de Kijuju, onde um bioterrorista foi visto pela última vez. Para ajudá-lo nessa nova missão, Sheva Alomar, uma nova parceira da divisão africana da B.S.A.A., se junta a ele. Logo ele perceberia que os eventos acontecendo ali têm mais ligação com o seu passado do que ele imagina.

Sendo o primeiro jogo da saga lançado pra 7ª geração, os gráficos deram uma grande guinada. Este é o primeiro título da franquia a usar de captura de movimento em suas cenas, deixando assim a movimentação e as aparências dos personagens mais realistas. No quesito gameplay, segue os padrões do jogo anterior, trazendo de volta a câmera over the shoulder e aventura mais linear dividida em capítulos. Não existe Mercador aqui, porém ainda é possível acessar uma loja para comprar, vender e upar itens e equipamentos. A diferença é que a loja é acessível apenas no final de cada capítulo ou quando morremos na jogatina. Os save points através de máquinas de escrever foram abandonadas, e substituídos por saves automáticos ocorridos entre os capítulos e em checkpoints. O inventário também foi modificado, sendo convertido em um menu mais dinâmico, nos permitindo trocar de armas e acessar os itens em tempo real.

Mas de longe o maior diferencial desse título é o sistema de co-op. Assim como foi em Resident Evil 0, atuamos a campanha inteira como uma dupla, Chris e Sheva. Porém aqui, ao invés de intercalar entre os personagens, é possível jogar multiplayer co-op, com um jogador controlando o Chris e outro controlando a Sheva. Quando jogamos sozinhos, controlamos apenas o Chris, e a Sheva é controlada por IA. Porém, ainda é possível dar comandos básicos pra ela, como usar determinados itens em determinadas situações.

Resident Evil 5 (2009 – Capcom)

Algo que chamou atenção nesse título é o dinamismo e o maior distanciamento do gênero survival horror. Enquanto ainda divide algumas semelhanças com Resident Evil 4, o quinto jogo trás muito mais elementos de um shooter em terceira pessoa do que um game de horror e sobrevivência. Tem até mesmo inimigos capazes de usar armas de fogo, a gameplay incluiu pela primeira vez a opção de realizar cover, e por aí vai. Fora isso, boa parte da ambientação se passa durante o dia. O excesso de iluminação e a possibilidade de jogar com um amigo ajudam a diminuir a tensão e os elementos de terror, tornando Resident Evil 5 bem distante da proposta de causar sentimento de medo nos jogadores. Esses fatores dividiram a opinião dos fãs, com muitos gostando dessa nova proposta, e outros sentido falta dos elementos dos jogos originais.

Resident Evil 5 ainda ganhou outros modos além da campanha principal, como o já tradicional Modo Mercenaries. Também saíram DLCs trazendo novos novas armas, trajes e até personagens pro Modo Mercenaries. Posteriormente seria lançado também um Modo Mercenaries Reunion, trazendo todos os novos conteúdos incluídos via DLC pra esse modo. Mas as principais DLCs com certeza são as duas novas campanhas, chamadas Lost in Nightmare e Desperate Escape. A primeira mostra acontecimentos antes da campanha principal, com Chris e Jill invadindo uma nova Mansão Spencer atrás do próprio Ozwell E. Spencer. Já a segunda se passa em paralelo à campanha principal, mostrando a aventura de Jill e do agente africano Josh Stone depois que se separaram de Chris e Sheva. Uma versão completa do game, chamada Gold Edition, seria posteriormente lançada, reunindo todas as DLCs. Versões mais recentes ainda incluíram um modo chamado Mercenaries United, que seria uma espécie de fusão de todas as versões do Modo Mercenaries lançadas pra esse game.

Resident Evil 5 foi lançado em 2009 pro PS3, Xbox 360 e PC, com sua Gold Edition sendo lançada em 2010 pros consoles e em 2015 pros PCs. Em 2016, a Gold Edition também ganhou uma remasterização para o PS4 e Xbox One, além de sair também pro console da Nvidia, o Shield Android TV. Em 2019, saiu também pro Nintendo Switch. Apesar de ter dividido a fanbase por se afastar do survival horror, foi um tremendo sucesso e vendeu super bem. Aliás, mais que bem, tendo sido o game mais vendido da Capcom por anos, sendo superado apenas em 2018 pelo Monster Hunter: World.

RESIDENT EVIL 6

Resident Evil 6 (2012 – Capcom)

O sucesso monumental de vendas do Resident Evil 5 se mostrou controverso. Por um lado, a Capcom passou a acreditar que a maioria dos jogadores não se interessavam mais por jogos survival horror. Por outro, os fãs clamavam pela volta às origens da saga. A fanbase de Resident Evil ficou dividida entre os fãs mais saudosistas que queriam que as origens da franquia fossem respeitadas, e os novos fãs que gostaram da pegada ação que a saga adotou nos jogos mais recentes. Sendo assim, a equipe de desenvolvimento decidiu tentar agradar a todos os públicos, e produzir um game que uniria os fãs novos e antigos. Surgiu assim o título mais ambicioso da Capcom até então, o Resident Evil 6.

A história se passa entre os anos de 2012 e 2013. Uma nova facção bioterrorista surgiu, atacando diversas partes do mundo com o novo C-Vírus. De um lado, a cidade americana de Tall Oaks é infectada, matando inclusive o Presidente dos Estados Unidos. A dupla Leon S. Kennedy e Helena Harper é considerada culpada pelo que aconteceu. Por outro, uma unidade da B.S.A.A. liderada por Chris Redfield e Piers Nivans vai para a cidade chinesa de Lanshiang, onde outro ataque estava sendo realizado, enquanto Chris busca vingança contra Ada Wong. Ao mesmo tempo, a agora agente governamental Sherry Birkin busca uma cura através do sangue especial do mercenário Jake Muller.

De longe o maior diferencial desse título é a quantidade de campanhas. Logo de cara, temos 3 campanhas principais, cada uma onde controlamos uma dupla, mostrando um ponto de vista diferente da mesma história. Fora isso, cada campanha parece se dedicar a um gênero específico, como se representasse uma fase diferente da franquia. Primeiro temos a campanha do Leon e da Helena, que se dedica mais ao survival horror. A segunda é onde controlamos Chris e Piers, e tem uma campanha voltada mais pra ação. Na terceira campanha nós controlamos Sherry e Jake, trazendo também uma aventura mais voltada pra ação, porém, trazendo de volta o elemento da perseguição do Resident Evil 3, com a introdução do Ustanak. Existe ainda uma quarta campanha que desbloqueamos depois de finalizar as outras 3. Essa seria a campanha da Ada, que trás um foco maior em puzzles, além de ser a única campanha onde controlamos apenas um personagem.

Resident Evil 6 (2012 – Capcom)

No quesito gameplay, temos aqui uma evolução do que vimos nos Resident Evils 4 e 5. A câmera over the shoulder está de volta, porém pela primeira vez agora podemos controlar a câmera também, não sendo mais necessário movimentar o personagem pra mover a câmera junto. Também inédito na franquia é a possibilidade de andar, mirar e atirar ao mesmo tempo. Aliás, esse é o game com a maior variedade de movimentação dos personagens. Podemos andar, correr, abaixar, dar cover, rolar no chão e até mesmo atirar deitado. O menu dinâmico do quinto jogo retornou, assim como o co-op.

Aliás, o multiplayer aqui deu uma evoluída considerável. Assim como em Resident Evil 5, é possível jogar co-op local, com cada jogador controlando um personagem da dupla da campanha que você escolheu jogar. Porém, também existe multiplayer on-line. Existem momentos das campanhas onde as duplas se encontram. Nesses momentos, caso outros jogadores estejam jogando com as outras duplas em suas próprias jogatinas, vocês se encontrarão no gameplay também, e poderão jogar todos juntos pelo menos naqueles momentos intercalados das campanhas.

Contabilizando as 4 campanhas, temos aqui a história mais vasta de toda a franquia, com diversas vertentes e informações, além do maior número de personagens jogáveis. Além das 4 campanhas, no single-player, podemos escolher qual personagem da dupla jogar, e isso afeta um pouco o ponto de vista da história em determinados momentos. Ou seja, o fator replay é ainda maior. O sistema de capítulos, save point e loja são basicamente os mesmos do Resident Evil 5, assim como o Modo Mercenaries é semelhante. A ambientação aqui é variada, servindo como homenagem aos títulos anteriores, trazendo desde localidades europeias, bases secretas e cidades infectadas. Algo que também retornou são os quicktime events, que foram considerados exagerados pelos fãs pela enorme quantidade ao longo da jogatina. Para nós brasileiros, esse game também se destaca por ser o primeiro a chegar com legendas PT-BR.

Apesar da ambição, e do jogo ser considerado bom pelos críticos em termos gráficos e de gameplay, em termos gerais Resident Evil 6 foi considerado um fracasso. Justamente por querer agradar a todos. Apesar da proposta de misturar gêneros para agradar a todas as parcelas de fãs, no final Resident Evil 6 simplesmente não agradou, sendo considerado um jogo confuso e sem identidade por muitos. Até mesmo a campanha do Leon, que supostamente deveria trazer de volta o survival horror à franquia, fracassou nesse quesito. Em termos gerais, Resident Evil 6 foi considerado um passo pra trás na franquia, e mostrou para a Capcom que as coisas definitivamente deveriam mudar.

Resident Evil 6 foi lançado em 2012 para o PS3 e Xbox 360. Em 2013 saiu pros PCs. Em 2016 ele ganhou uma versão remasterizada para o PS4 e Xbox One. Essa mesma versão saiu pro Nintendo Switch em 2019.

RESIDENT EVIL 7: BIOHAZARD

Resident Evil 7: Biohazard (2017 – Capcom)

A experiência com Resident Evil 6 deu um alerta vermelho para a Capcom. A princípio, eles pensaram em produzir Resident Evil 7 trazendo os mesmos elementos introduzidos no sexto jogo. Mas a performance de Resident Evil 6 mostrou que eles deveriam pisar no freio. Uma volta às origens se mostrou necessária. Ao mesmo tempo, eles precisavam renovar a franquia. O gênero de survival horror estava retornando na 8ª geração de consoles, com franquias como Outlast, The Forest, Layers of Fear e The Evil Within (esse último sendo criação do próprio Shinji Mikami, criador de Resident Evil). A Capcom se baseou nesse novo contexto do gênero, pegou elementos de filmes clássicos como Massacre da Serra Elétrica e, é claro, os jogos clássicos da própria saga. E assim, Resident Evil 7 nasceu. Vale ressaltar que esse game leva ambos os nomes oficiais da saga, sendo uma tentativa de unificar os títulos em todo o mundo. No Japão, ele ficou conhecido como Biohazard 7: Resident Evil, enquanto no resto do mundo ele é chamado de Resident Evil 7: Biohazard.

O game se passa no ano de 2017, e trás o novo protagonista Ethan Winters, que vai até Dulvey, Louisiana, em busca da sua esposa, que ele acreditava estar morta há cerca de 3 anos. Porém, ao chegar lá, ele se vê no meio de um ambiente macabro, e toda uma família de habitantes locais enlouquecidos atrás dele, incluindo a sua própria esposa Mia.

Resident Evil 7 é o primeiro jogo da saga a trazer a nova engine chamada de RE Engine. Graças a ela, o motor gráfico do game está mais realista do que nunca. Os personagens agora são baseados em atores reais, com a aparência e movimentos sendo captados através de mocap. Graças a essa nova tecnologia, temos o jogo mais realista da franquia até aqui.

Em questão de gameplay, Resident Evil 7 foi novamente divisivo. Já que ele foi o primeiro game da linha principal a trazer uma gameplay 100% em primeira pessoa. Algo que, até então, só era abordado em spin-offs. Isso fez a fanbase se dividir, com muitos acreditando que essa mudança de câmera prejudicou a identidade do jogo como um Resident Evil, enquanto outros adoraram a novidade. Em compensação, a franquia agora voltou definitivamente ao survival horror, com o ambiente mais macabro da saga até aqui, se aproveitando justamente da câmera em primeira pessoa pra gerar situações de tensão e medo nunca antes vistas nos jogos anteriores. A campanha dividida em capítulos e a loja foram abandonados, dando lugar à volta do estilo clássico de progressão através de puzzles e backtracking, além da munição escassa. O inventário dinâmico do Resident Evil 5 e 6, porém, foi mantido. As despensas também retornaram, assim como os save points, que aqui são feitos através de secretárias eletrônicas.

Resident Evil 7: Biohazard (2017 – Capcom)

O game possui, a princípio, apenas uma campanha onde controlamos Ethan na maioria do tempo. Nessa mesma campanha existem trechos específicos onde controlamos outros personagens também. Fora isso, existem certos “jogos à parte” que podem servir como mini-campanhas adicionais, que seriam a tech demo em Realidade Virtual Kitchen, e a demo Resident Evil 7: Beginning Hour. Ambos fizeram parte da campanha promocional do Resident Evil 7, mas apresentam histórias diferentes do produto final (porém, ambas canônicas). Além disso, também foram lançadas DLCs trazendo mais modos de jogo e campanhas, sendo elas o Not a Hero, onde controlamos Chris Redfield, e End of Zoe, onde controlamos o novo personagem Joe Baker. Também foi lançada duas DLCs chamadas Banned Footages, que trouxeram minigames e uma nova mini campanha, onde controlamos Zoe Baker numa pequena história prequel do jogo. Todas essas DLCs posteriormente foram reunidas numa versão Gold Edition do game.

Resident Evil 7 foi um grande sucesso, marcando o recomeço da saga e a volta às suas raízes. Porém, mesmo assim ele foi divisivo entre os fãs. Apesar da volta ao gênero de survival horror, a câmera em primeira pessoa e a inclusão de elementos aparentemente sobrenaturais causaram desconforto em alguns, dando a sensação de que eles não estavam jogando, de fato, um Resident Evil.

O game foi lançado em 2017 pro PS4, Xbox One e PC. Ele também tem suporte para o PSVR, sendo o primeiro jogo da saga que pode ser jogado inteiramente em Realidade Virtual. Ele ganhou uma versão chamada de Cloud Version que foi lançada no Japão pro Nintendo Switch em 2018. Essa versão, ao contrário das outras, é jogada inteiramente via nuvem. Depois de sair no Japão, a Cloud Version foi lançada no resto do mundo em 2022. Em 2020, o jogo também foi lançado pro Amazon Luna, e em 2021 pro Google Stadia (que atualmente não está mais ativo). Em 2022 ele foi portado também para o PS5 e Xbox Series X/S.

RESIDENT EVIL 2 (REMAKE)

Resident Evil 2 (2019 – Capcom)

Desde o lançamento do Remake do primeiro jogo da saga, que a Capcom pensava em produzir um Remake de Resident Evil 2. Porém, por conta de diversos fatores, como o desenvolvimento conturbado de Resident Evil 4, a saída de Shinji Mikami da Capcom, e o período que a franquia se dedicou ao gênero de ação, a produção desse Remake parecia improvável. Porém, os fãs continuaram pedindo por esse Remake nos anos que se seguiram. Alguns, inclusive, se arriscaram em lançar seu próprio Remake feito por fãs. Remake esse que foi vetado pela Capcom e convertido na franquia Daymare, que presta homenagens aos Resident Evil clássicos. Mas porque a Capcom vetou a produção desse jogo fanmade? Porque eles próprios anunciaram o Remake oficial de Resident Evil 2 em 2015. Porém, levaria 4 anos para o jogo ser de fato lançado. E a espera valeu a pena.

Daymare: 1998 (2019 – Invader Studios), o game indie nascido de um RE2 Remake feito por fãs

O jogo trás a exata mesma história do Resident Evil 2 original, focando no policial novato Leon S. Kennedy e a motoqueira Claire Redfield chegando na infestada Raccoon City, sem saber que agora o lugar era uma cidade infestada de zumbís e outros infectados. Acompanhamos a dupla na busca por sobreviver e escapar da cidade.

O game segue usando a RE Engine introduzida no Resident Evil 7. Graças a isso, não apenas os gráficos estão mais realistas, como os visuais dos inimigos estão mais grotescos e a violência visual mais forte e intensa. A câmera, por outro lado, voltou a ser em terceira pessoa estilo over the shoulder, trazendo o que muitos consideram ser a combinação perfeita: a câmera e aspectos introduzidos em Resident Evil 4, junto da revitalização do estilo clássico de gameplay trazidos no Resident Evil 7. O game trás de volta, inclusive, as máquinas de escrever como save points, e até os ink ribbons. Porém, dessa vez, a necessidade de usar ink ribbons só é incluída em dificuldades mais elevadas.

Os gráficos estão excelentes e realistas. A ambientação conseguiu superar o do jogo original não só em aspectos visuais como em termos de iluminação. Resident Evil 2 Remake é propositalmente escuro, nos forçando a depender muitas vezes da iluminação de lanternas, o que causa uma sensação de tensão e medo muito boa. Os inimigos se destacam por serem mais difíceis de derrubar. Mas de longe o maior destaque nesse quesito é o Mr. X, que nesse jogo foi convertido a um verdadeiro inimigo perseguidor digno do Nemesis.

Algo que foi alterado aqui, em comparação ao game original, foram as campanhas. Semelhante aos cenários A e B do game original, aqui temos uma campanha com cada personagem. Ambas são iguais, mudando apenas o personagem que você joga. Porém, ao terminar uma delas, uma outra campanha, denominada de “2ª Jornada”, é liberada, onde jogaremos a história sob o ponto de vista do outro personagem. Ou seja, continuam sendo 4 campanhas, mas ao invés de ser “Leon A”, “Claire B”, “Claire A”, “Leon B”, como no original, aqui é algo mais para “Leon 1”, “Claire 2”, “Claire 1”, “Leon 2”. O que ficou divisivo nessa nova versão de campanha é que, mesmo com esse esquema de 2ª Jornada, os pontos de vista de cada personagem não se entrelaçam como no jogo original. Pelo contrário, em determinados momentos eles vivenciam os mesmos eventos, o que narrativamente falando não faz sentido na hora de juntar os dois pontos de vista. Por conta disso, as campanhas do Resident Evil 2 Remake são mais parecidas com o Resident Evil 1 do que do Resident Evil 2 original.

Resident Evil 2 (2019 – Capcom)

A justificativa dada pela Capcom em relação a essas mudanças de enredo são que Resident Evil 2 Remake, na verdade, seria uma reimaginação da história original. Isso quer dizer que ele não substitui o jogo original na cânone de Resident Evil, mas sim mostra uma outra narrativa da mesma história. Mesmo assim, segundo a Capcom, ambas as versões de Resident Evil 2 são canônicas de alguma forma.

O game ainda tem modos adicionais, como o retorno de ambos o The 4th Survivor e o The Tofu Survivor, que trazem as mesmas propostas das versões originais. Posteriormente, uma DLC trouxe o Ghost Survivors, uma série de pequenas campanhas não-canônicas focadas em outros personagens.

Resident Evil 2 Remake foi um tremendo sucesso, sendo até mesmo premiado Jogo do Ano em 2019. Isso foi o bastante pra iniciar uma nova era de Remakes dentro da saga Resident Evil, como veremos a seguir. O jogo foi lançado em 2019 para PS4, Xbox One e PC, e em 2022 para o PS5, Xbox Series X/S e Amazon Luna, além de uma Cloud Version para o Nintendo Switch.

RESIDENT EVIL 3 (REMAKE)

Resident Evil 3 (2020 – Capcom)

A Capcom viu o potencial dos remakes. Por conta disso, um Remake do Resident Evil 3 foi produzido praticamente em paralelo ao desenvolvimento do Resident Evil 2 Remake, porém por uma equipe diferente. Como resultado, Resident Evil 3 Remake foi lançado apenas 1 ano depois do título anterior.

Assim como os remakes anteriores, aqui temos a exata mesma premissa do jogo original. No caso, uma história que se passa 1 dia antes e 1 dia depois do Resident Evil 2 Remake, trazendo Jill Valentine, Carlos Oliveira e outros sobreviventes numa luta pra escapar da cidade, enquanto são perseguidos pelo implacável Nemesis.

O jogo trás praticamente as mesmas qualidades técnicas do Resident Evil 2 Remake, em termos visuais e de jogabilidade, incluindo a câmera em terceira pessoa over the shoulder e a iluminação mais escassa. Assim como o Resident Evil 3 original, temos aqui uma única campanha onde controlamos a Jill, com apenas um trecho onde Carlos assume o protagonismo. Também igual ao original, esse game apresenta mais aspectos de ação do que o seu antecessor, que é algo proposital e, nas duas versões, é uma mudança mais sutil do que no Resident Evil 5 e 6, por exemplo. O Nemesis novamente é destaque, sendo o clássico inimigo perseguidor que está sempre na cola da Jill.

Apesar dos visuais mais bonitos e a gameplay atualizada, esse Remake foi extremamente criticado por conta de conteúdo cortado. Diversos momentos e localidades do jogo original não acontecem no Remake, como a Torre do Relógio, cuja ausência é sempre destacada nas reclamações dos fãs. O sistema de escolhas também não retornou, assim como alguns inimigos clássicos não retornaram, incluindo algumas formas do Nemesis. O próprio Nemesis foi alvo de críticas, por conta de muitos dos momentos em que ele aparece serem claramente scriptados e, portanto, previsíveis. Muitos esperavam uma evolução do que foi o Mr. X no Resident Evil 2 Remake, mas no final foi considerado um retrocesso.

Resident Evil 3 (2020 – Capcom)

Fora isso, apesar dos gráficos serem basicamente iguais, o lado gore visto no Remake anterior foi amenizado, o que também foi alvo de críticas. Inclusive, no Japão foi lançada uma versão do game chamada Z Version, que incluiu o gore do Resident Evil 2 Remake. E pra completar as críticas, esse game foi considerado extremamente curto, tanto em comparação ao Resident Evil 3 original como ao Resident Evil 2 Remake. Muitos relacionaram isso à produção do spin-off Resident Evil: Resistance, que apesar de ser tratado como um game separado, ele é vendido junto do Resident Evil 3 Remake, o que o torna basicamente o modo multiplayer do jogo. Enfim, muitos acreditam que o foco na produção de Resistance afetou a qualidade do Resident Evil 3 Remake.

Quando tentou se justificar quanto ao conteúdo cortado de história, a Capcom novamente ressaltou que Resident Evil 3 Remake não substitui o jogo original, sendo mais uma vez uma reimaginação, ou seja, uma nova versão da mesma história. Isso fez os fãs ficarem receosos dessa possível nova tendência das empresas produzirem reimaginações ao invés de remakes de fato.

Como dito, o game foi lançado em 2020 para PS4, Xbox One e PC. Em 2022 ele foi lançado também pro Amazon Luna, PS5 e Xbox Series X/S, além de uma Cloud Version pro Nintendo Switch.

RESIDENT EVIL VILLAGE

Resident Evil Village (2021 – Capcom)

Enquanto os Remakes eram lançados, a Capcom tratou de trabalhar também no próximo capítulo da saga, que também serve como um encerramento da história da Família Winters. Fazendo uma brincadeira com o seu subtítulo, o nome do oitavo jogo numérico da saga se chama Resident Evil Village ao invés de Resident Evil 8. A brincadeira consiste no número 8 estar inserido em algarismo romano dentro da palavra “VILLAGE”.

A história se passa 3 anos depois de Resident Evil 7. Ethan e Mia Winters agora viviam escondidos em algum lugar da Europa e tinham uma filha recém-nascida chamada Rose. Um dia, subitamente, Chris Redfield invade o local com a sua nova unidade Lobo de Caça. Ele simplesmente mata a Mia e leva Ethan e Rose sob custódia. A situação complica quando a viatura é atacada e, quando Ethan acorda, ele estava sozinho em uma vila macabra, e Rose estava desaparecida. Agora o objetivo é encontrar a pequena Rose e sair daquele lugar.

O game trouxe de volta a câmera em primeira pessoa do Resident Evil 7, assim como todos os elementos trazidos de volta desde o sétimo jogo da saga. Ao mesmo tempo, vemos a volta de elementos trazidos também no Resident Evil 4, como a ambientação em uma vila hostíl e desolada, um flerte maior com a ação, e até mesmo a volta do sistema de compra, venda e melhoria de itens e equipamentos. Antes tinhamos o Mercador, agora temos o Duke. Esse sistema ainda veio acompanhado de sidequests que nos dão pontuações e itens extras para se gastar na loja do Duke e obter melhores equipamentos e itens também.

O cenário da vila é praticamente mundo aberto, porém com localidades pontuais acessadas em momentos específicos do jogo e que trazem uma maior variação de clima, inimigos e localidades. Os gráficos estão sensacionais, com a RE Engine continuando sendo utilizada, e as aparências dos personagens e inimigos estando ainda mais realistas. Resident Evil Village também se destaca por ser o primeiro jogo da franquia a ganhar dublagem em PT-BR.

Resident Evil Village (2021 – Capcom)

O game possui apenas uma campanha principal onde controlamos o Ethan (e o Chris em uma determinada parte do jogo). Fora isso, ele também vem com o Modo Mercenaries, que retorna à franquia desde o Resident Evil 6. Posteriormente um pacote de DLC chamado de Winters Expansion foi lançado, trazendo novos personagens pro Modo Mercenaries, um novo modo em terceira pessoa e uma nova campanha. O modo em terceira pessoa trás a opção de jogar a campanha principal inteira em terceira pessoa over the shoulder. Nisso, todo o jogo é adaptado para esse formato, com exceção das cutscenes, que voltam à câmera em primeira pessoa. Já a nova campanha se chama Sombras de Rose, que se passa 16 anos no futuro, e controlamos a adolescente filha de Ethan, a Rose Winters. Assim como o novo modo, o Sombras de Rose é todo em terceira pessoa.

Resident Evil Village (2021 – Capcom)

Simultaneamente com esse pacote de DLC, uma versão Gold Edition foi lançada, trazendo o game principal mais todas as DLCs. Assim como o Resident Evil 3 Remake, Village também tem um tipo de modo multiplayer que foi incluído depois de seu lançamento. Porém, esse modo multiplayer é tratado como um título separado, chamado Resident Evil Re:Verse.

Resident Evil Village foi mais um sucesso na saga. Porém, ele recebeu críticas por conta dos elementos ainda mais sobrenaturais em sua campanha (principalmente na DLC Sombras de Rose), além do novo flerte com a ação, que já vimos um pouco no Resident Evil 3 Remake. Ele foi lançado em 2021 pro PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X/S, PC e Google Stadia (que não está mais disponível). Em 2022, uma Cloud Version foi lançada para Nintendo Switch e computadores Mac. Em 2023, a versão de PS5 ganhou suporte para Realidade Virtual, podendo ser jogado no PSVR2.

RESIDENT EVIL 4 (REMAKE)

Resident Evil 4 (2023 – Capcom)

E chegamos no último game da saga lançado até o momento. O Remake completo de Resident Evil 4. Muito se tem sido questionado sobre se era ou não necessário refazer do zero o já consagrado Resident Evil 4. Além disso, muitos acreditam que era mais coerente produzir primeiro um remake do Resident Evil: CODE Veronica. Mas a Capcom optou por arriscar refazer o quarto jogo numérico, e o resultado já está entre nós.

O game trás a exata mesma premissa do jogo original, com Leon indo até uma vila remota da Espanha em busca da desaparecida filha do Presidente. Essa busca o coloca em confronto direto com o culto Los Illuminados e o parasita Las Plagas.

Temos aqui uma melhoria gráfica e de gameplay grande tanto em comparação ao Resident Evil 4 original, como aos remakes anteriores. O modelo de todos os personagens estão mais detalhados, os cenários foram reconstruídos do zero e ficaram mais realistas. A atmosfera do jogo foi adaptada para ficar mais macabra que o título original, sendo essa uma das principais diferenças entre o original e o Remake. Apesar de manter a câmera over the shoulder (que surgiu justamente no Resident Evil 4 original), todas as movimentações estão atualizadas para os padrões mais atuais da franquia. Um dos maiores destaques nesse quesito é a inclusão do sistema de parry, e um novo sistema de combate usando facas.

Os elementos clássicos do jogo original voltaram, como o Mercador e a divisão por capítulos. Mas ao mesmo tempo, os mapas foram todos remodelados para comportar o sistema de backtracking, trazendo uma ótima mistura das características do Resident Evil 4 original com os jogos clássicos e atuais. As sidequests introduzidas no Resident Evil Village também retornaram, dessa vez relacionadas ao Mercador. Apesar dos gráficos serem excelentes na maioria das plataformas, a versão de PS4 foi criticada por ser graficamente inferior, tendo diversos problemas de texturas e outros bugs visuais. Mas em questão de gameplay, a experiência é a mesma.

Resident Evil 4 (2023 – Capcom)

Por enquanto temos apenas uma campanha onde controlamos o Leon. Pelo menos até o momento nenhum modo adicional como Separate Ways foi incluído no game, mas não duvidamos que isso mude em breve. Lembrando que esse texto está sendo publicado poucos dias depois do lançamento desse jogo. Por enquanto, apenas o Modo Mercenaries está confirmado de retornar.

Algo que muita gente temia em relação a esse título foi o corte de conteúdo. Principalmente por conta do que foi visto no Resident Evil 3 Remake. Mas felizmente poucas coisas foram removidas, e muitos acréscimos bem vindos foram incluídos. Um desses acréscimos, por exemplo, foi um nome dado à vila, agora chamada de Valdelobos. Certos detalhes de história também foram alterados, mas nada muito comprometedor em relação ao original. Resta saber se o que foi cortado pode ou não retornar em futuras DLCs.

Resident Evil 4 Remake foi lançado em 2023 pro PS4, PS5, Xbox Series X/S e PC.

Outros games

São muitos jogos na linha principal, mas claro que tem espaço pra mais. Resident Evil possui MUITOS spin-offs, e boa parte deles são canônicos e importantes para a compreensão total da saga.

Resident Evil Survivor (2000 – Capcom)

Resident Evil Survivor é o primeiro spin-off da saga, trazendo uma gameplay mais arcade com câmera em primeira pessoa. A história aborda o detetive Ark Thompson investigando uma ilha da Umbrella. Foi lançado em 2000 pro PS1.

Resident Evil Survivor 2: Code Veronica (2001 – Capcom)

Resident Evil Survivor 2 – Code: Veronica é basicamente uma versão arcade em primeira pessoa do CODE Veronica original. Se passa durante um sonho da Claire. Foi lançado em 2001 pro PS2 e Arcades japoneses.

Resident Evil Gaiden (2001 – Capcom)

Resident Evil Gaiden é um game de ação e aventura 2D com batalhas de turnos. A história aborda Leon S. Kennedy e Barry Burton investigando um navio repleto de zumbis. É um dos poucos spin-offs que não é canônico. Foi lançado pro Game Boy Color em 2001.

Resident Evil: Dead Aim (2003 – Capcom)

Resident Evil: Dead Aim, é um light gun shooter com elementos de terror. Aqui controlamos os agentes Bruce McGivern e Fong Ling na caçada de um fugitivo da Umbrella. Foi lançado em 2003 pro PS2. Curiosidade: Dead Aim é o quarto jogo da linha Survivor, chamada no Japão de Gun Survivor. O terceiro dessa linha seria não um game de Resident Evil, mas sim um spin-off de Dino Crisis chamado Dino Stalker.

Resident Evil: Outbreak / Outbreak File #2 (2003/2004 – Capcom)

Resident Evil Outbreak é um survivor horror nos padrões dos games clássicos, mas com foco no multiplayer. Sua história foca em civis tentando sobreviver ao Incidente de Raccoon City. É o primeiro game da saga a trazer funcionalidades on-line para a franquia. Foi lançado em 2003 pro PS2, e teve uma continuação direta lançada pra mesma plataforma em 2004.

Resident Evil: The Umbrella Chronicles (2007 – Capcom)

Resident Evil: The Umbrella Chronicles é um light gun shooter em primeira pessoa. A história trás um resumo de diversos jogos da saga, além de histórias inéditas que preenchem algumas lacunas. Foi lançado em 2007 pro Nintendo Wii, e posteriormente pra PS3.

Resident Evil: The Darkside Chronicles (2009 – Capcom)

Resident Evil: The Darkside Chronicles é outro light gun shooter em primeira pessoa. Temos aqui uma história trazendo Leon e Krauser numa missão na América do Sul, enquanto flashbacks acontecem resumindo outras histórias que o game anterior não abordou. Foi lançado em 2009 pro Wii e posteriormente pro PS3.

Resident Evil: Degeneration (2008 – Capcom)

Resident Evil: Degeneration é um game de ação que adapta a animação de mesmo nome, que aborda um ataque bioterrorista em um aeroporto, e Leon liderando o resgate aos sobreviventes. Foi lançada em 2008 pro N-Gage e em 2009 pra dispositivos iOS.

Resident Evil: The Mercenaries 3D (2011 – Capcom)

Resident Evil: The Mercenaries 3D é um game focado totalmente no modo Mercenaries. Foi lançado em 2011 pro Nintendo 3DS.

Resident Evil: Revelations (2012 – Capcom)

Resident Evil: Revelations é um survivor horror nos mesmos padrões dos jogos principais da época. Com câmera over the shoulder e campanha nos mesmos padrões de Resident Evil 4 e 5. A história trás Jill, Chris e outros agentes da B.S.A.A. numa missão pra desvendar uma conspiração envolvendo uma facção bioterrorista chamada Veltro. Foi lançado em 2012 pro Nintendo 3DS, sendo posteriormente remasterizado para o PS3, Xbox 360, PC, Nintendo Wii U, PS4, Xbox One e Nintendo Switch.

Resident Evil: Operation Raccoon City (2012 – Capcom)

Resident Evil: Operation Raccoon City é um game de tiro em terceira pessoa não-canônico e com funcionalidades on-line. A história se passa durante o Incidente de Raccoon City, onde controlamos uma equipe tática da Umbrella enviada para apagar qualquer registro do envolvimento da empresa no surto. Existe também uma segunda campanha, onde controlamos um esquadrão SpecOps do governo. Foi lançado em 2012 pro PS3, Xbox 360 e PC.

Resident Evil: Revelations 2 (2015 – Capcom)

Resident Evil: Revelations 2 é outro survivor horror feito nos mesmos padrões dos jogos principais. A história aborda Claire Redfield e Moira Burton sendo sequestradas e levadas pra uma ilha remota, onde experimentos estranhos acontecem. Vemos também eventos ocorridos 6 meses depois, com Barry Burton chegando na mesma ilha em busca de resgatar a sua filha. Foi lançado em capítulos ao longo do ano de 2015, saindo para PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One, PSVita, PC, e posteriormente Nintendo Switch.

Umbrella Corps (2016 – Capcom)

Umbrella Corps é um game de tiro com foco no multiplayer. A história aborda experimentos realizados por uma nova encarnação da Umbrella. Foi lançado em 2016 pra PS4 e PC.

Resident Evil: Resistance (2020 – Capcom)

Resident Evil: Resistance é um survivor horror multiplayer assimétrico, onde os jogadores controlam sobreviventes tentando escapar de experimentos, enquanto outro jogador controla o cárcere, que prepara armadilhas e invoca monstros para matá-los. Foi lançado em 2020 para PS4, Xbox One e PC, sendo obrigatória a compra do Resident Evil 3 Remake para pode acessar esse jogo.

Resident Evil Re:Verse (2022 – Capcom)

Pra finalizar, Resident Evil Re:Verse é um multiplayer online, onde controlamos diversos personagens da saga em partidas competitivas. Foi lançado em 2022 pro PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series X/S, Nintendo Switch e PC, sendo obrigatória a compra do Resident Evil Village para ter acesso a ele.

Resident Evil: Confidential Report (2006 – Capcom)

Além de todos esses títulos, a saga ainda possui diversos games mobile. Dentre esses, destacamos o game de Resident Evil: Confidential Report, que trás uma história e personagens inéditos.

E claro, tem Resident Evil em outras mídias. Os filmes live action de Resident Evil são conhecidos pelos fãs (por conta das péssimas adaptações que ele recebeu ao longo dos anos). Fora isso, temos diversos livros, animações, mangás, quadrinhos americanos e até mesmo peças teatrais lançadas, tornando Resident Evil uma franquia multimídia. Inclusive, muitos desses títulos são canônicos para a saga dos games, como é o caso de todos os filmes e séries animadas lançadas até aqui, de mangás como Marhawa Desire e Heavenly Island, e a peça de teatro oficial de Resident Evil (que inclusive pode ser encontrada completa no YouTube).

Resident Evil é um verdadeiro prato cheio pra quem é fã de survival horror e busca uma franquia extremamente rica em quantidade de jogos, história e experiência de gameplay. Já explorou diversos gêneros (exagerou nisso, inclusive), mas no geral, é uma franquia simplesmente inesquecível.

Qual o seu Resident Evil favorito? Comenta aí!


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