Review: Final Fantasy VII Rebirth

Publicado por Vinicius Miranda em

Review: Final Fantasy VII Rebirth

Depois de 4 anos de espera, finalmente a segunda parte da trilogia Final Fantasy VII Remake está entre nós e já adianto: é um sonho realizado para qualquer fã do jogo original. Final Fantasy VII Rebirth é uma experiência singular para fãs de RPG e de Final Fantasy de maneira geral, e aqui você vai entender porque.

Como muitos fãs de JRPG da minha geração, a minha jornada dentro do gênero começou no PS1. Mais especificamente no Final Fantasy VIII. Mas não demorou muito pra eu dar um passo pra trás na franquia e me aventurar pelo mundo dominado pela Lifestream ao lado de Cloud e dos outros. Final Fantasy VII se tornou o meu favorito não apenas pela sua inquestionável popularidade, mas pela forma como seu mundo, sua narrativa e seus personagens são escritos e desenvolvidos de forma excelente e carismática.

E claro, quando saiu o filme em CGI Final Fantasy VII Advent Children, eu estava entre aqueles que babaram por aqueles gráficos e passaram a desejar o jogo original refeito com aquele visual. E quando anunciaram o Remake na E3 dos Sonhos em 2015, 9 anos atrás, o meu hype ficou tão alto que não dá nem pra descrever. Rolou um balde de água fria quando anunciaram algum tempo depois que o Remake seria dividido em mais de um jogo.

Mas agora estamos na metade dessa jornada (passamos da metade, na verdade), e eu começo a acreditar que esse foi o melhor caminho. A divisão da história, apesar de questionável, pode ter sido benéfica para a estrutura dos jogos. Vamos analisar tudo isso aqui.

Enredo

Final Fantasy VII Rebirth é uma continuação direta do Final Fantasy VII Remake, começando do ponto em que o título anterior e sua DLC terminaram. Os heróis agora estão fora de Midgar, tendo se tornado fugitivos e passando a serem procurados pela Shinra. Eles chegam na cidade de Kalm, onde Cloud conta sobre o seu passado com Sephiroth e o que aconteceu na sua cidade natal, Nibelheim, 5 anos atrás. E a sua narrativa dos eventos deixa Tifa confusa. Enfim, quando a Shinra chega ao seu encalço, o grupo deixa a cidade e começa a sua jornada pelo mundo, com o objetivo de encontrar e impedir Sephiroth de dominar o controle do planeta usando os poderes de Jenova. E a única pista que eles têm de sua localização são os misteriosos homens encapuzados que estão se reunindo e andando, supostamente, na direção de onde Sephiroth está.

O enredo é, na sua grande maioria, o mesmo do jogo original. Porém, ele é expandido em atualizado. Tanto para condizer com os eventos do jogo anterior, como para casar melhor com a atual estrutura de mundo aberto do título. Existem mudanças que são bem benéficas, como é o caso de basicamente tudo envolvendo a Yuffie e Wutai. No jogo original, a Yuffie e o Vincent eram personagens opcionais, logo eles eram “puláveis” e não precisavam ser recrutados para a party. Por conta disso, eles basicamente nenhuma atenção em termos narrativos no jogo original. Isso muda no Rebirth, o que é benéfico para a personagem. Alguns elementos dramáticos ganham mais camadas, e mudanças pontuais são feitas que melhoram a narrativa também. Como, por exemplo, a relação entre Dyne e os criminosos da Prisão de Corel, ou a forma como Cait Sith age depois do plot twist em Gold Saucer.

Em paralelo a isso, as sidequests fornecem histórias paralelas que são bem atrativas também, não sendo, de forma alguma superficiais. Para quem gosta de acompanhar a história, fazer as sidequests é recompensador, pois aprofunda melhor certos detalhes e ajuda complementar a narrativa. Em resumo: trás uma experiência mais completa de forma geral.

O mundo aberto

Final Fantasy VII Rebirth é mundo aberto. E parece que, finalmente, a Square Enix acertou nesse quesito. Depois da ume experiência desengonçada com o Final Fantasy XV, eles voltaram a apostar no mundo aberto, e foram certeiros. O mundo do Rebirth é vivo e convidativo para a exploração. Cheio de coisas a se fazer, cenários lindíssimos que te fazem querer perder horas explorando. E monstros para enfrentar. As sidequests espalhadas pelo mapa também ajudam a incentivar transitar pela região, estão estrategicamente posicionadas em locações do mapa que dão a sensação que nenhum espaço desse mundo é desperdiçado.

O mapa de Final Fantasy VII Rebirth é dividido em regiões: Pradarias, Junon, Corel, Gongaga, Cosmo Canyon, Nibel e o Mar. Cada região tem seu próprio ecossistema e missões que vão sendo liberadas conforma avançamos na jornada. E como dito, as missões são posicionadas em locais específicos e levam a gente a diversas áreas do mapa, dando a sensação de que estamos aproveitando ao máximo das locações do mapa. Algumas áreas são mais convidativas para exploração do que outras, e algumas regiões podem ser frustrantes de transitar (Gongaga é um verdadeiro labirinto). Mas isso é bom porque dá uma diversificada nos mapas.

Para nos ajudar na locomoção, temos a ajuda dos diversos tipos de Chocobos, do Buggy e do Tiny Bronco, que são adquiridos gradativamente com o decorrer da aventura, e são muito bem utilizados, assim como no jogo original.

Combate

O sistema de combate é exatamente o mesmo do Final Fantasy VII Remake, com alguns aprimoramentos. Controlamos 3 personagens por vez, sempre com Cloud liderando a equipe. E cada personagem possui suas próprias habilidades, além daquelas dadas pelas Matérias equipadas. Essa mistura de action com ATB continua ótima e, na minha opinião, é o sistema de batalha definitivo dos jogos modernos da franquia, até o momento. Pois trás o melhor dos dois mundos: o dinamismo dos combates de action RPG, e o fator estratégico das batalhas por turno com ATB.

As habilidades são liberadas de 3 formas diferentes: através das Matérias equipadas, das armas que equipamos e vamos usando, resultando assim nos personagens aprendendo certos movimentos específicos, e através de uma árvore de habilidade onde podemos liberar habilidades e fortalecer certos atributos de cada um. E entre as habilidade liberáveis pela árvore, temos também as habilidades de sinergia, que permite que 2 personagens da mesma equipe realizem golpes especiais em conjunto. Isso também ajuda a deixar os combates ainda mais dinâmicos.

Assim como foi no Remake, no Rebirth podemos controlar cada personagem de forma individual durante as batalhas. Cada um tem seu estilo diferente de combate, o que muda a nossa estratégia de acordo com quem estamos controlando. Cloud, por exemplo, é mais focado em lutas a curta distância, enquanto Barret é mais à longa distância. Aerith, por outro lado, foca mais em magia e não tem tanta força. Por conta disso, é natural termos nossas preferências, mas é recomendável que saibamos jogar com cada um dos personagens, pois cada um deles tem seu momento de destaque, e caso não saibamos jogar com eles nesses momentos, o perrengue será grande.

Relações e diálogos

Existe um sistema de relacionamento de personagens nesse jogo. Que é bem discreto em comparação a outros jogos como The Witcher e Skyrim, por exemplo. Mas em geral, dependendo de certas ações que tomamos, a relação que temos com os nossos companheiros pode se aprofundar ou não. E a recompensa de focarmos nisso é o tão esperado encontro na Gold Saucer. Entre as ações que ajudam a aprofundar as relações com os personagens são as realizações de missões secundárias (cada uma tem foco em um personagem diferente), liberar as habilidades de sinergia, escolher as respostas certas em alguns diálogos, e as já citadas ações em pontos chave da história. Dessa forma, quem você tiver com o relacionamento mais aprofundado, será aquele que vai sair com você no encontro da Gold Saucer.

Os minigames

Algo que chamou atenção e dividiu opiniões são os minigames. E sim, são MUITOS minigames. Principalmente quando chegamos em Gold Saucer. Mas mesmo antes, já temos uma dose considerável de joguinhos. É captura de Chocobo, é o Fort Condor, é o jogo do Golfinho, a apresentação do desfile de Junon, as abdominais com a Tifa, tocar piano (eu amei esse), e por aí vai. Chegando na Gold Saucer, adicionamos corrida de Chocobos, navinha, G-Bike, 3D Brawler, e por aí vai. Algumas pessoas se incomodaram com tantos minigames. Mas vale lembrar que todos são opcionais. No máximo temos que passar por eles algumas vezes nas sidequests (que também são opcionais). De resto, continuamos jogando eles apenas se tivermos vontade.

O maior destaque que damos aqui, com certeza, é pro joguinho de cartas Queen’s Blood. Esse jogo é viciante depois que se aprende a jogar. E é bem capaz de ganharmos um spin-off totalmente focado nesse joguinho de cartas aí no futuro.

Gráficos

Eis uma questão interessante e polêmica. Final Fantasy VII Rebirth foi alvo de críticas envolvendo sua performance. Como todo jogo da atual geração, ele oferece os Modos Qualidade e Desempenho. No Modo Qualidade, ele prioriza a qualidade visual, mas crava a performance em 30 fps. Já no Modo Desempenho, ele prioriza os 60 fps, mas sacrifica um pouco da qualidade visual. O problema é que, em seu lançamento, o Modo Desempenho sacrifica DEMAIS a qualidade visual. A ponto do jogo parecer borrado em diversos momentos. Isso fez muitos jogadores optarem pelo Modo Qualidade, mesmo não gostando de jogar a 30 fps. Não poder jogar em 60 fps sem parece que precisa de óculos pra jogar deixou muitos jogadores decepcionados.

Além disso, Rebirth ainda é alvo de críticas por conta da iluminação em determinadas partes do jogo, consideradas estouradas demais nos personagens. Fora que certos elementos do cenário sofrem com falta de texturas, algumas leves, outras gritantes. É um defeito herdado do Remake de PS4, mas que havia sido corrigido na versão de PS5, e que voltou com força no Rebirth, talvez por consequência de ser mundo aberto.

A Square Enix prometeu consertar essas questões gráficas e de performance com updates. Alguns já foram lançados, mas parece que ainda não foram o suficiente para corrigir todos os problemas.

Trilha sonora

O que falar de trilha sonora de Final Fantasy? Ela NUNCA decepciona. Ainda mais uma trilha composta pelo lendário compositor Nobuo Uematsu. A trilha sonora de Final Fantasy VII já era excelente no original de PS1. Eles só mantiveram a excelência. Fãs do jogo original vão se emocionar ao ouvir cada música tocada nos momentos chave. É um deleite aos ouvidos. Simples assim.

E o Rebirth ainda vai além. Pois além de nos permitir ouvir essas músicas clássicas, ainda podemos tocar algumas delas através do minigame do piano. O que é muito bacana também.

Como um remake

Final Fantasy VII Rebirth continua sendo um remake do jogo original. Mesmo que com a história parcialmente contada. E dentro do que é mostrado, ele faz um ótimo trabalho. É um deleite para quem jogou o jogo original ver esse mundo refeito. Se Midgar já estava super bem retratada, o mundo está melhor ainda. Mesmo com os gráficos mais modernos, é super possível reconhecer os locais do jogo original e ver como o mundo está sendo retratado de forma fiel. Os eventos também estão super fiéis, na sua grande maioria pelo menos.

Algo que vale ressaltar é que o Rebirth resgatou o ar mais leve do jogo original, trazendo bem mais elementos cômicos que o Remake. Isso ajudou muito a tornar os personagens mais carismáticos, e as situações menos densas. E falando em carisma, os personagens desse jogo se tornaram 101% mais carismáticos que no Remake. Principalmente Barret e Red XIII. É muito gratificante ver o desenvolvimento dessa galera. O mesmo vale para os personagens secundários.

Existem cortes, infelizmente. Alguns eventos do jogo original não acontecem aqui. Mas como sabemos que teremos um terceiro e último jogo dessa trilogia, ainda não dá pra cravar que eles não irão mais acontecer. Alguns fatores questionáveis, ainda assim, não dão pra ignorar. Como a personalidade mais “nice guy” do Cid, e os elementos novos inseridos perto do final do jogo envolvendo o Zack, que dividem opiniões.

Vale a pena?

Final Fantasy VII Rebirth: Uma quase perfeição em forma de JRPG moderno. Embora a divisão do Remake ainda seja questionável, é muito gratificante finalmente ver esse clássico dos clássicos repaginados nos tempos modernos. Personagens carismáticos, mundo super convidativo à exploração, combate dinâmico e estratégico, visuais estonteantes. Se não fosse pelos problemas de performance, seria a perfeição. Vinicius Miranda

9.5
von 10
2024-03-31T13:31:10-0300

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