Silent Hill: Tudo o que você precisa saber sobre a franquia!

Publicado por Vinicius Miranda em

Silent Hill voltou das cinzas após 10 anos estagnada e, para comemorar, elaboramos este artigo recheado de informações sobre todos os jogos já lançados da amada franquia de survival horror.

Silent Hill foi criado por Keiichiro Toyama, sendo uma série antológica focada em acontecimentos macabros ocorridos na cidade aparentemente pacata que leva o mesmo nome, Silent Hill.

A franquia foi criada com o propósito de atrair mais o público ocidental. Para isso, a Konami encarregou um grupo de desenvolvedores para criar um game com estética mais Hollywoodiana. A equipe por trás do desenvolvimento dos primeiros games da saga ficou conhecida como Team Silent. Segundo Akira Yamaoka, o principal compositor das trilhas sonoras da franquia, o Team Silent foi formado por desenvolvedores que falharam em diversos outros projetos anteriores e estavam planejando deixar a Konami. Ou seja, o sucesso de Silent Hill praticamente salvou as carreiras dessas pessoas.

Para criar uma verdadeira experiência tanto de narrativa como de medo, o Team Silent pegou diversas inspirações como os livros de Stephen King, filmes como Alucinações do Passado, Alien e Fantasmas, além dos trabalhos do cineasta David Lynch e, é claro, clássicas obras de horror japonês. A idealização da cidade fictícia de Silent Hill veio com base em obras literárias e filmes de Velho Oeste, e o Culto e sua religião macabra teve como influência elementos de religiões da vida real como Cristianismo, Azteca e Xintoísmo. Já as aparências das criaturas foram baseadas no trabalho do artista Francis Bacon, que é especializado em transmitir desconforto visual e psicológico através das suas obras.

Acompanhando toda a atmosfera estabelecida para essa franquia, o já citado compositor Akira Yamaoka foi o responsável por compor uma trilha sonora macabra, que trás uma sensação incômoda e ao mesmo tempo imersa, dando um frio na espinha daqueles que ouve.

Com esse conjunto de grandes influências, um time competente e um objetivo claro, o primeiro game da saga Silent Hill foi desenvolvido. Mesmo com as limitações da época, eles conseguiram produzir um game que se rapidamente se tornou um clássico da indústria e iniciou uma das franquias mais amadas do survival horror.

Silent Hill

Silent Hill (1999 – Konami)

O primeiro game da saga já é um clássico. Desenvolvido pela Team Silent e distribuído pela Konami em 1999. Silent Hill conta a história de Harry Mason que, depois de um acidente de carro, acaba parando na misteriosa cidade de Silent Hill. Sua filha Cheryl estava desaparecida, Harry então parte numa jornada por essa cidade para encontrá-la. O problema é que Silent Hill não é uma cidade comum. Ela está completamente tomada por forças sobrenaturais e Harry terá que enfrentar essas criaturas para descobrir o que está acontecendo até encontrar a sua filha.

Lançado no auge da quinta geração de consoles, Silent Hill trouxe o melhor que o primeiro Playstation tinha para oferece na época. O que mais chama a atenção nesse primeiro título é como muitos elementos que se tornaram marcas registradas da franquia surgiram como uma forma de burlar certas limitações técnicas do console. Por exemplo: nosso protagonista tem a movimentação truncada e o combate é meio desengonçado. Mas isso é justificado dentro da história com o fato de que Harry é um civil sem qualquer tipo de treinamento com combate ou uso de armas. Diferente de franquias como Resident Evil, cujos protagonistas são, praticamente, todos agentes treinados. O cenário também é todo coberto por névoa, que se tornou característica da série, mas que surgiu para camuflar as limitações técnicas e gráficas do game. No Outro Mundo, a névoa é substituída por escuridão, que possui a mesma função técnica.

Silent Hill é uma espécie de protótipo de mundo aberto. Temos um cenário vasto para explorar, além de puzzles para resolver e criaturas para enfrentar. Os cenários alternam entre o mundo normal e o Outro Mundo, que é muito mais perigoso e desafiador. Mapas podem ser encontrados para nos ajudar a nos localizar e nos locomover melhor. Como o personagem não sabe usar armas de fogo, os combates são bem desafiadores, o que torna muitas vezes fugir a melhor opção. Os monstros são propositalmente perturbadores. E isso se tornaria outra marca registrada da saga, com cada criatura sendo fruto de traumas de um certo personagem do jogo.

Outro aspecto que chamou a atenção nesse game é a sua trilha sonora completamente original e propositalmente incomoda. Produzida por Akira Yamaoka, que retornaria para compor a trilha da maioria dos demais games da saga que vieram depois.

Música tema do primeiro Silent Hill
Silent Hill (1999 - Konami)
Silent Hill (1999 – Konami)

O primeiro Silent Hill foi um enorme sucesso. Apesar de não receber tanta atenção dos fãs hoje em dia, ele foi muito importante por ter começado essa saga e trazido uma narrativa única para os jogos do gênero. Infelizmente, ele continua preso ao primeiro Playstation, não tendo recebido nenhum tipo de port ou remasterização para outras plataformas até o momento.

Apesar disso, foi lançado apenas no Japão um jogo chamado Play Novel: Silent Hill, um spin-off que adapta o primeiro jogo para o formato de visual novel. Esse game tem até mesmo campanhas alternativas onde controlamos outros personagens. Fora isso, o game recebeu uma adaptação cinematográfica em 2006.

Silent Hill 2

Silent Hill 2 (2001 – Konami)

Talvez o maior sucesso da franquia até hoje. O segundo jogo da saga foi lançado em 2001, sendo desenvolvido pela mesma equipe do primeiro game. A história não possui ligação direta com o título anterior, podendo ser jogado de forma individual. O enredo foca em James Sutherland, que foi para Silent Hill depois que recebeu uma carta supostamente escrita por sua esposa. O problema é que a sua esposa já faleceu. Sendo assim, James parte para Silent Hill com o objetivo de encontrar o remetente da carta, numa vaga esperança da sua esposa ainda estar viva. Essa é a sinopse, mas ao longo do desenvolvimento do game, temos um desenrolar que torna essa história, no mínimo, incômoda.

Todos os personagens apresentam características traumáticas e perturbadoras. Não existe heróis nesse jogo, nem mesmo o protagonista. E essa é uma das características mais intrigantes de Silent Hill 2. Os gráficos são sensacionais para a época, com destaque para as cenas em CGI que beiram o cinematográfico. Estamos agora na sexta geração de consoles, então a evolução é bem evidente. As características do primeiro game estabelecidas por limitações técnicas agora foram aprimoradas, dessa vez sendo algo feito propositalmente para fazer parte do cenário do jogo. Tudo o que fez o primeiro título ser memorável foi aprimorado no segundo capítulo. Basicamente tudo o que vimos no jogo anterior foi melhorado aqui.

Silent Hill 2 (2001 - Konami)
Silent Hill 2 (2001 – Konami)

A cidade está mais bonita e mais macabra. Os inimigos estão mais amedrontadores. Inclusive, nesse game teve a introdução daquele que seria o mascote da franquia, o Pyramid Head. A trama é macabra e os personagens podem não ser carismáticos na sua maioria, mas eles são convincentes.

O game foi lançado para o PS2 e Xbox em 2001, ganhando uma versão para PC em 2002. Em 2012 o game ganhou uma remasterização para o PS3 e Xbox 360, juntamente com o Silent Hill 3.

Infelizmente a remasterização recebeu críticas mistas por ser acusado de tirar características visuais importantes do game original. Essa versão, porém, trouxe um novo modo chamado Born from a Wish, que conta uma história inédita que se passa antes da campanha principal. Recentemente foi anunciado um remake completo do game, além de filme chamado Return to Silent Hill, que adaptará os eventos de Silent Hill 2.

Silent Hill 3

Silent Hill 3 (2003 – Konami)

O terceiro capítulo da saga continuou sendo desenvolvido pela mesma equipe dos 2 games anteriores, sendo lançado em 2003. O mais curioso é que, a princípio, Silent Hill 3 seria um rail shooter produzido para arcades. Ou seja, era pra esse título ser um spin-off da saga. Mas em determinado ponto do desenvolvimento o Team Silent decidiu alterar o projeto, tornando ele uma sequência direta do primeiro jogo.

A história tem como foco Heather Mason, filha do Harry, o protagonista do Silent Hill 1. Heather cresceu sem saber da sua relação com a macabra cidade, até que os membros do culto aparecem atrás dela. Para descobrir as suas verdadeiras origens, Heather parte para Silent Hill.

Como dito, a história é uma sequência direta do primeiro jogo, diferente de Silent Hill 2, que é uma trama isolada. A trama da família Mason com o culto de Silent Hill continua e toma outras proporções, tornando esse título praticamente obrigatório para qualquer fã da saga. Em questão técnica, o game evoluiu pouco em relação ao segundo game. Os gráficos sofreram uma leve melhorada, mas a gamplay pouco inovou, sendo esse um dos pontos mais criticados desse game. Elementos típicos da atmosfera de Silent Hill como a névoa foram amenizados, o que desagradou alguns fãs.

Silent Hill 3 (2003 - Konami)
Silent Hill 3 (2003 – Konami)

Mesmo assim, Silent Hill 3 possuía praticamente as mesmas qualidades do segundo jogo. Isso mais a história envolvente e ligada ao primeiro título já são o suficiente para tornar esse jogo um dos mais importantes da saga.

O game foi lançado para PS2 e PC em 2003. Posteriormente, ele ainda ganhou uma versão remasterizada ao lado de Silent Hill 2, lançada para PS3 e Xbox 360 em 2012. Ainda ganhou uma adaptação cinematográfica, chamada de Silent Hill: Revelação, lançada também em 2012.

Silent Hill 4: The Room

Silent Hill 4: The Room (2004 – Konami)

O quarto game da franquia foi produzido quase que simultaneamente ao Silent Hill 3. Foi dito até mesmo que o game não foi originalmente idealizado como um Silent Hill, sendo chamado apenas de Room 302. Porém, enquanto os produtores afirmam que este game realmente não foi originalmente pensado como um título principal da saga, ele desde o início do seu desenvolvimento foi idealizado como tendo ligações com Silent Hill, nem que ele fosse um spin-off. Posteriormente foi decidido transformar o Room 302 em Silent Hill 4: The Room, que foi lançado em 2004.

O game pela primeira vez nos leva para fora de Silent Hill, focando a sua história na cidade vizinha de Ashfield. Acompanhamos o protagonista Henry Townshend, que começa a perceber atividades estranhas no prédio onde mora, e subitamente fica preso dentro do seu próprio apartamento. O objetivo agora é simplesmente tentar escapar. Porém, os responsáveis por tudo o que está acontecendo são forças sobrenaturais semelhantes às encontradas em Silent Hill.

O game possui certas diferenças pontuais em relação à primeira trilogia. Pra começar, esse é o primeiro título que apresenta câmera em primeira pessoa. No caso, o jogo é dividido entre gameplay no apartamento de Henry e no Outro Mundo. Enquanto dentro do apartamento, a câmera fica em primeira pessoa. Lá é possível salvar o game, estocar itens e curar o personagem. Porém, buracos aparecem nos cômodos do apartamento, e ao atravessá-lo, Henry vai parar no Outro Mundo. E lá, a câmera muda para a terceira pessoa e temos uma gameplay mais parecida com os games anteriores. Uma diferença aqui é no modo de movimentação do personagem. Enquanto na primeira trilogia, os personagens possuíam movimentação de tanque (nós primeiro apontávamos o personagem na direção e aí andávamos), em Silent Hill 4 nós podemos movimentar o Henry com mais liberdade.

Os gráficos sofreram uma melhora considerável em relação ao Silent Hill 3, sendo mais detalhado que os jogos anteriores. A história também é interessante. No geral, ela é mais isolada dos demais games, apesar de ter uma pequena ligação com Silent Hill 2.

Silent Hill 4: The Room (2004 - Konami)
Silent Hill 4: The Room (2004 – Konami)

Silent Hill 4: The Room foi o último jogo produzido pela Team Silent, que depois desse título foi desmantelada. O game foi lançado em 2004 para PS2, Xbox e PC. Hoje em dia, a sua versão PC pode ser adquirida pela loja GOG.

Silent Hill: Origins

Silent Hill: Origins (2007 – Konami)

O quinto jogo na saga também é chamado de Silent Hill Zero no Japão. Trata-se de um prequel do primeiro game da saga, sendo desenvolvido pela Climax Studios e lançado em 2007. Além de ser um prequel e o primeiro game da saga a não ser desenvolvido pela Team Silent, Origins também é o primeiro jogo da franquia feito inicialmente para portáteis.

Como dito, o game é um prequel, ou seja, a sua história se passa antes até mesmo do primeiro jogo. A trama foca no caminhoneiro Travis Grady, que durante um dos seus trabalhos de transporte, acaba avistando um incêndio próximo de Silent Hill, e resgata uma menina lá de dentro. Após isso, algo acontece, e Travis se vê preso dentro da própria cidade de Silent Hill. Agora, o protagonista se vê em meio de mistérios envolvendo a cidade e até mesmo a menina que ele resgatou, numa trama que se liga diretamente aos eventos do primeiro game.

Silent Hill: Origins (2007 - Konami)
Silent Hill: Origins (2007 – Konami)

Apesar de ter relações com o primeiro game, a trama de Origins foi criticada pelos fãs por conta de algumas inconsistências como, por exemplo, a personalidade de alguns personagens. Em questões técnicas, Origins é inferior em diversos aspectos quando comparado com Silent Hill 4, mas isso é natural, já que estamos falando de um game originalmente portátil. Mesmo assim, tivemos novidades, como o sistema de durabilidade das armas brancas e a possibilidade de agarrar os inimigos. Mesmo com as limitações da plataforma, a movimentação tanque não retornou, e o Travis pode se mover de forma semelhante ao Henry de Silent Hill 4.

O game foi lançado para o PSP em 2007. Mesmo assim, ele recebeu um port para o PS2 em 2008. Esse port, apesar de ser para um console de mesa, foi criticado pelos fãs, sendo considerado levemente inferior à versão original.

Silent Hill: Homecoming

Silent Hill: Homecoming (2008 – Konami)

O sexto game da saga e o primeiro para a sétima geração de consoles. Silent Hill: Homecoming foi lançado em 2008, sendo desenvolvido pela Double Helix Games.

Dessa vez acompanhamos a história de Alex Shepherd, um veterano de guerra que volta para casa depois de anos. Alex vive na cidade de Shepherd’s Glen, que é vizinha de Silent Hill. Mas ao voltar pra casa, tudo estava diferente. Coisas estranhas estavam acontecendo e seu irmão mais novo estava desaparecido. Alex, então, parte em uma jornada para descobrir o que está havendo na cidade e onde está o seu irmão.

A trama segue os padrões dos jogos anteriores, com uma reviravolta macabra mais pra frente na jogatina. Graficamente falando, tivemos uma grande evolução. Afinal, estamos agora na sétima geração. Sendo assim, temos gráficos ainda mais realistas e sombrios, e monstros ainda mais aterrorizantes. Serrilhados podem ser encontrados, mas nada que na época não fosse incomum. A gameplay segue os padrões de sempre, com algumas melhorias. Detalhes foram acrescentados como, por exemplo, o Alex olhar na direção de itens próximos espalhados pelo mapa, facilitando a sua localização. Pela primeira vez na saga, existem escolhas de diálogos durante as cenas, o que pode levar a diferentes caminhos e finais. Nos combates, existem mais movimentos como desvio e contra-ataque, além da possibilidade de mirar nos inimigos antes de atacá-los. Esse também é o primeiro game da saga onde podemos controlar a câmera à vontade, e não apenas o personagem.

Silent Hill: Homecoming (2008 - Konami)
Silent Hill: Homecoming (2008 – Konami)

Apesar de ele ser considerado um bom game de maneira geral, muitos não o acham tão bom quanto os títulos anteriores. E para piorar, a versão de PC foi considerada extremamente defeituosa, com diversos bugs na época do seu lançamento. Para alguns fãs da saga, Homecoming é o início do declínio da franquia.

O game foi lançado em 2008 para PS3, Xbox 360 e PC (através da Steam).

Silent Hill: Shattered Memories

Silent Hill: Shattered Memories (2009 – Konami)

O sétimo game da franquia talvez seja o mais diferente de todos os jogos principais da saga. Desenvolvido pela Climax Studios e lançado em 2009, trata-se de uma reimaginação do primeiro Silent Hill. A história segue basicamente a mesma premissa: Harry Mason se vê preso na macabra cidade de Silent Hill, enquanto busca por sua filha desaparecida.

No entanto, temos diversas diferenças tanto de narrativa como de gameplay que tornam Shattered Memories uma experiência totalmente diferente de Silent Hill 1. Primeiro, temos a ausência total de combates, enquanto os monstros ficaram mais numerosos. Isso quer dizer que o fator sobrevivência se ampliou 100% nesse game. O jogo também é dividido entre duas narrativas: uma sessão de terapia, onde controlamos um personagem misterioso com a câmera em primeira pessoa, e a jornada de Harry, onde controlamos o próprio numa câmera em terceira pessoa no estilo over the shoulder (conhecido de jogos como Resident Evil 4 e a franquia Gears of War). Durante os trechos da terapia, temos que responder diversas perguntas, e dependendo das respostas que damos, elementos narrativos, visuais e até mesmo de gameplay são alterados quando jogamos com o Harry. E isso pode levar a diferentes finais.

Silent Hill: Shattered Memories (2009 - Konami)
Silent Hill: Shattered Memories (2009 – Konami)

Apesar de ser um jogo de sétima geração, Shattered Memories foi lançado inicialmente como um exclusivo de Nintendo Wii. E isso por si só deixou esse título tecnicamente inferior ao Homecoming, por exemplo. Mesmo assim, as mecânicas diferenciadas usando o Wii Remote do console da Big N foi um diferencial que ajudou a balancear a inferioridade técnica.

Vale lembrar sempre que Shattered Memories é uma reimaginação do primeiro Silent Hill. Sendo assim, ele é o único game principal da saga a não fazer parte da continuidade da franquia.

Silent Hill: Shattered Memories foi lançado em 2009 para o Wii. Em 2010, ele também recebeu um port para PS2 e PSP.

Silent Hill: Downpour

Silent Hill: Downpour (2012 – Konami)

Por muitos anos o último capítulo da saga, Downpour foi lançado em 2012, sendo desenvolvido pela Vatra Games. A história foca no presidiário Murphy Pendleton, que acaba escapando do cárcere quando o ônibus de transporte o qual ele estava acabou sofrendo um acidente ao passar por Silent Hill. Preso no local, Murphy agora embarca numa jornada macabra na cidade assombrada.

Depois de um jogo fora da curva em Shattered Memories, Downpour retomou a gameplay clássica, sendo uma evolução natural de Homecoming tanto em gráficos como em mecânicas. O sistema de combate foi aprimorado, o visual está mais caprichado e detalhado, e a movimentação melhorou em comparação aos títulos anteriores. O sistema de escolha de diálogos retornou, o que ajuda a definir a índole do personagem, e consequentemente, a narrativa e o final. Outro sistema que retornou foi o de durabilidade das armas. Existe também cerca de 14 sidequests que ajudam a aumentar a vida útil da jogatina. Outro destaque desse título é que Downpour foi o primeiro (e por enquanto único) game da saga com compatibilidade a tecnologia 3D, podendo ser jogado com TVs 3D, que era uma tecnologia popular na época.

Silent Hill: Downpour (2012 - Konami)
Silent Hill: Downpour (2012 – Konami)

Downpour dividiu opiniões, muito por conta das diferenças técnicas entre as versões das plataformas em que ele foi lançado, sendo a versão de Xbox 360 levemente superior à de PS3. Fora isso, o jogo sofreu com diversos defeitos e bugs em seu lançamento. Apesar de esses erros terem sido corrigidos posteriormente através de patchs de atualização, isso foi o suficiente para afetar a popularidade do game.

Como acabou de ser dito, Silent Hill: Downpour foi lançado para PS3 e Xbox 360 em 2012. Posteriormente ele também foi lançado para Xbox One.

P.T. / Silent Hills

Silent Hills, o game cancelado da Konami

Esse é um momento triste para os fãs da saga. Sem nenhuma previsão de lançamento de um game novo da franquia, eis que do nada aparece na Playstation Store uma demo misteriosa chamada de P.T. (sigla que significa Playable Teaser, na tradução, Teaser Jogável). Uma experiência diferente, onde controlamos um protagonista misterioso, numa casa assustadora assombrada por um espírito e repleta de loops, onde o objetivo é descobrir como quebrar esse loop e escapar da casa. Escapando da casa, aí veio a surpresa. Descobrimos que esse tal de P.T. estava sendo produzido por nomes como Hideo Kojima e Guillermo del Toro, além de que o misterioso protagonista estava sendo interpretado pelo ator Norman Reedus. Por fim, foi revelado que P.T. era, na verdade, um teaser para o futuro game da saga Silent Hill, chamado apenas de Silent Hills.

Esse anúncio foi simplesmente bombástico. Hideo Kojima é até hoje um dos desenvolvedores mais conceituados da indústria dos games, principalmente por conta do seu trabalho com a franquia Metal Gear. Já Guillermo del Toro é um cineasta altamente respeitado por seu trabalho com filmes com temática de monstro, tendo em seu currículo filmes como Blade 2, Labirinto do Fauno, a duologia Hellboy, Círculo de Fogo e a série de TV The Strain. Simplesmente dois nomes perfeitos para produzir um novo game de Silent Hill. Fora isso, também estava envolvido no projeto o mangaká Junji Ito, conhecido por produzir grandes mangás do gênero de terror como Uzumaki e Gyo. E claro, outro nome de destaque foi Norman Reedus, ator popular na época por seu papel na série The Walking Dead. Isso mais o que vimos e jogamos em P.T. nos dava a confiança de que Silent Hills seria sensacional.

P.T. (2014 - Konami)
P.T. (2014 – Konami)

Infelizmente não saberemos, pois em 2015 foi anunciado o cancelamento de Silent Hills. O principal motivo disso foi o desentendimento entre Kojima e a Konami, que afetou até mesmo o lançamento de Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, game produzido por Kojima e sua equipe na época, que apesar de ser um ótimo jogo, foi lançado com o final incompleto devido a esses desentendimentos. Por conta dessas desavenças, foi anunciado que Kojima sairia da Konami após o lançamento de The Phantom Pain. Pouco tempo depois, foi anunciado também que Silent Hills foi cancelado. Para dar um gosto ainda mais amargo nos fãs, em abril de 2015 o P.T. foi completamente removido da Playstation Store, não podendo mais ser instalado nem mesmo por aqueles que já o tinham em sua biblioteca. Hoje em dia, a única forma de jogar P.T. é se tiver um console PS4 com a demo já instalada. Mesmo assim, se desinstalar, nunca mais poderá jogar novamente, tornando P.T. uma verdadeira raridade e peça de colecionador.

E com isso ficamos anos sem um novo título de Silent Hill. Kojima deixou a Konami e fundou uma nova encarnação da sua Kojima Productions. Em 2019, a Kojima Productions lançou Death Stranding, que apesar de não ter nenhuma ligação com Silent Hill, herdou características do cancelado Silent Hills, como Norman Reedus interpretando o protagonista.

Death Stranding (2019 - Kojima Productions), o "legado" de Silent Hills
Death Stranding (2019 – Kojima Productions), o “legado” de Silent Hills

Já a Konami ficou calada com a franquia Silent Hill por muitos anos, tendo como único anúncio uma versão Pachinko de Silent Hill 2. Um dos principais motivos disso é a mudança de foco na empresa, que decidiu direcionar seus principais produtos pro mercado de games mobile e Pachinko. Os fãs por muitos anos esperavam o anúncio de um novo game da saga, mas nada era dito. Recentemente houve um rebuliço envolvendo o game indie Abandoned, cuja campanha de marketing dava a entender fortemente que se tratava de um novo Silent Hill. No entanto, com o passar do tempo, ficou claro que o game não tinha relação com a franquia. Mas felizmente, a agonia dos fãs chegou ao fim em outubro de 2022, com uma enxurrada de novos anúncios depois de 10 anos de espera.

Silent Hill 2 Remake

Silent Hill 2 (Sem data – Konami)

O primeiro grande anúncio marcando o retorno da franquia foi o remake de Silent Hill 2. O game será desenvolvido pela Bloober Team, conhecido pela franquia Layers of Fear e o game The Medium, esse último inclusive que lembra bastante Silent Hill. O game aparentemente terá a mesma história do jogo original, porém apresentando gráficos da atual geração e gameplay aprimorado.

Não tem data de lançamento, mas ele será lançado para PS5 e PC. Sua exclusividade para o PS5 será válida por pelo menos 1 ano, abrindo margem para ele ser lançado para outros consoles posteriormente.

Silent Hill: Townfall

Silent Hill: Townfall (Sem data – Annapurna Interactive / Konami)

Depois de Silent Hill 2 Remake, a Konami anunciou Silent Hill: Townfall. Não sabemos praticamente nada sobre o game, uma vez que o teaser apresentado não entrega muita coisa. Tudo o que foi confirmado é que ele está sendo desenvolvido pela No Code Studios e distribuído pela Annapurna Interactive em parceria com a Konami. Isso marca a primeira vez que um game da saga não é distribuído pela Konami. A No Code é conhecida por desenvolver games elogiadíssimos como Observation e Stories Untold. Já a Annapurna é conhecida por games como What Remains of Edith Finch, Gone Home, Ashen, Outer Wilds e Stray. Então tudo leva a crer que será um ótimo game.

Por enquanto, não temos data de lançamento e nem plataformas anunciadas.

Silent Hill: Ascension

Silent Hill: Ascension (2023 – Konami)

Talvez o título mais diferente da franquia anunciado até agora. Ascension não é bem um game, mas sim uma série interativa. Ao que tudo indica, o título será uma série live action que vai ser disponibilizada online, em que o desenrolar da trama seguirá de acordo com as interações dos espectadores. Enquanto não deram maiores detalhes, o trailer de anúncio deu a entender que a série será ao vivo, disponibilizada em uma plataforma online onde o público poderá participar do desenrolar da trama através de um chat.

As empresas por trás desse título são a Genvid Technologies (especializada em storytelling interativo), a Bad Robot Games (divisão de games da Bad Robot, conhecida por filmes como Cloverfield e Star Trek e por séries como Lost, Fringe e Westworld), a Behaviour Interactive (conhecida por games como Fallout Shelter e Dead by Daylight) e a Dj2 Entertainment (conhecida por produzir adaptações cinematograficas e televisivas de games, tendo em seu currículo os 2 filmes do Sonic).

A série interativa de Silent Hill tá prevista pra estrear em 2023, mas como dito, sem maiores detalhes até o momento.

Silent Hill f

Silent Hill f (Sem data – Konami)

Por fim, temos Silent Hill f, o último game anunciado até o momento da franquia. Não sabemos muito sobre ele, tendo tido por enquanto apenas um trailer de anúncio. Pelo que é mostrado no trailer, dá pra identificar uma certa influência até mesmo de franquias concorrentes como Fatal Frame. Haviam rumores dizendo que, juntamente com Silent Hill 2 Remake, seria anunciado um Silent Hill 5, retomando a franquia oficialmente. Aparentemente, esse Silent Hill 5 é o Silent Hill f.

O game tá sendo desenvolvido pela Neobards Entertainment, que é conhecida por jogos como No Straight Roads, Marvel’s Avengers, a remasterização de Onimusha Warlords e os ports pra atual geração de Resident Evil 2 Remake, 3 Remake e 7.

Por enquanto, não temos data de lançamento e nem plataformas anunciadas.

Outros jogos da franquia

Play Novel: Silent Hill (2001 - Konami)
Play Novel: Silent Hill (2001 – Konami)

Como qualquer franquia de sucesso, Silent Hill possui diversos títulos paralelos e spin-offs. Já citamos aqui o Play Novel: Silent Hill, versão visual novel do primeiro jogo lançada em 2001 pro Game Boy Advance. Fora ele, também foi lançado uma versão do primeiro jogo pra celulares Java em 2006.

Silent Hill: The Arcade (2007 - Konami)
Silent Hill: The Arcade (2007 – Konami)

Em 2007 foi lançado Silent Hill: The Arcade, lançado obviamente para arcades. O game é um rail shooter e é reconhecido por ter uma história própria.

Silent Hill: Orphan (2007 - Konami)
Silent Hill: Orphan (2007 – Konami)

No mesmo ano tivemos o lançamento de Silent Hill: Orphan, um game point and click em primeira pessoa lançado para mobile. O game rendeu duas sequências também pro mobile, lançadas em 2008 e 2009, fechando uma trilogia.

Silent Hill: No Escape (2008 - Konami)
Silent Hill: No Escape (2008 – Konami)

Seguindo o mesmo padrão da trilogia Orphan, Silent Hill: No Escape é um game mobile lançado para iOS em 2008.

Silent Hill: Book of Memories (2012 - Konami)
Silent Hill: Book of Memories (2012 – Konami)

Saindo dos celulares, temos Silent Hill: Book of Memories, que foi lançado em 2012 para PSVita. É um game mais focado em dungeon crawling, tendo também elementos de RPG.

Fora isso, tem o já citado Pachinko de Silent Hill 2, fora diversas histórias em quadrinhos e livros. Como já foi mencionado aqui, Silent Hill também possui adaptações cinematográficas, sendo o primeiro filme lançado em 2006, o segundo em 2012, e o terceiro sendo recentemente anunciado junto dos demais anúncios. Fora isso, Silent Hill foi temática de uma DLC crossover com Dead by Daylight em 2020.

Silent Hill é uma das franquias mais importantes do gênero de survival horror. Com uma legião de fãs tão fiéis, que apenas pela sua paixão que a Konami foi convencida a voltar atrás com a sua postura e anunciar diversos novos games da saga depois de 10 anos de hiato. Resta agora nós torcermos para que o retorno de Silent Hill seja triunfante.


Você é fã de Silent Hill? Se não, tá curioso para conhecer a franquia? Não esquece de comentar!

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