A Brasil Game Show 2025 marcou seu retorno com grandes expectativas, novo local e convidados internacionais de peso como Hideo Kojima, lendário desenvolvedor de games como Metal Gear Solid e Death Stranding. Naoki Hamaguchi, diretor de Final Fantasy VII Remake e Rebirth, entre outros.
Fui como imprensa no sábado, tradicionalmente o dia mais cheio da BGS, e vivi uma experiência que misturou empolgação, frustração e um certo sentimento de saudade do que a BGS já foi um dia.
Antes da abertura: boas surpresas
Cheguei cedo, antes da abertura ao público geral, e aproveitei para visitar alguns estandes. A Nintendo foi um dos primeiros que visitei, testei Hades II e Mario Kart World, que me surpreendeu positivamente com uma lan party de aproximadamente 14 jogadores, algo que ao meu ver funcionou perfeitamente e mostrou o cuidado da marca na execução.

Logo depois, conheci o jogo mobile brasileiro Uniqkiller, desenvolvido independentemente. O game mistura ação e PvP com visão top-down e tem ritmo rápido, provando que o cenário nacional segue evoluindo com boas ideias.

O caos do meet & greet com Hideo Kojima
Tudo parecia promissor na Brasil Game Show 2025, até que o maior nome da feira, Hideo Kojima, se tornou também o centro da maior polêmica do evento.

O lendário criador de Metal Gear Solid e Death Stranding participou da cerimônia de abertura e de um meet & greet com os fãs. Eu não tinha como foco conseguir uma foto com ele, mas queria ao menos entender como funcionaria a dinâmica, e aí veio a surpresa.
A BGS não explicou em nenhum momento, pelos seus canais oficiais, como seria o encontro com Kojima. Quando perguntei no estande da TCL, pouco antes da abertura do evento ao público, me informaram que as 200 pulseiras brancar para o meet já haviam sido entregues antes do evento começar, para pessoas que esperavam desde às 5h ou 6h da manhã.
Ouvi relatos tristes de quem viajou longas distâncias apenas para ver o Kojima, e nem sequer conseguiram entrar na fila.
Uma mãe contou ter levado o filho PCD, com ingresso Premium, e mesmo assim não teve prioridade no meet & greet e foi embora sem uma foto.
Foi uma decisão completamente sem transparência, e o pior: sem qualquer comunicado oficial. Achei revoltante, mas segui com a cobertura do evento.
Filas gigantes e internet inexistente
Assim que os portões abriram, o clima mudou. O sinal de internet simplesmente não funcionava, exceto em alguns pontos próximos às saídas de emergência.
Logo vieram a superlotação, filas enormes (até para encher garrafinha de água) e preços abusivos, com um simples picolé de limão custando até R$16.
Caminhar entre os estandes se tornou uma missão difícil, e a experiência, que deveria ser empolgante, virou um teste de paciência. Ainda assim, perto das 17h, voltei ao estande da TCL para ver o Kojima de longe. Foi o ponto alto do dia, ver ao vivo uma das maiores mentes dos games foi especial, apesar que todo o caos ao redor.
PlayStation Concert: o fechamento que refletiu o evento
Decidi encerrar o dia assistindo ao PlayStation Concert, marcado para às 19h. O show começou uma hora depois, e novamente ficou evidente a falta de comunicação da organização com o público.

A apresentação em si foi incrível, músicos experientes tocando as músicas impactantes de Horizon Zero Dawn, Ghost of Tsushima, Journey, The Last of Us e God of War.
O que ficou para a BGS 2025?
Os pontos altos foram poucos para mim, mas existiram: ver o Kojima, mesmo de longe, e o belo concerto da PlayStation.
Mas, de forma geral, essa foi a pior Brasil Game Show pós-pandemia. O evento sofreu com a falta de comunicação, organização precária, superlotação, preços abusivos nos alimentos e poucos jogos realmente jogáveis.
O que eu quero dizer com essa última frase? Alguns estandes, como o da PlayStation, exibiam apenas trailers de Ghost of Yotei. O jogo nem estava disponível para testar, apenas um display para fotos e uma cosplayer – muito boa por sinal.
Em vários casos, o foco parecia mais voltado para marketing e venda de produtos do que para experiências de gameplay.
Vi também comentários negativos sendo apagados e ocultados das redes da BGS, o que é lamentável.
A feira já foi o palco principal para os jogadores brasileiros conhecerem títulos antes do lançamento oficial e viverem experiências únicas. Hoje, parece presa a um formato comercial, distante da paixão que a originou.
Espero de verdade que a organização e a liderança escute o público, repense a estrutura e traga de volta o brilho que fez da BGS o maior evento de games da América Latina anos atrás.
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2 comentários
Bel · outubro 15, 2025 às 1:33 am
Seu comentário e sua visão foi bem transparente, esperamos que aja mudanças nestes eventos, pois respeitar mentes brilhantes dos visitantes e fãs de games é necessário!
Renan Corsi · outubro 15, 2025 às 2:23 am
Obrigado, mãe! 🤍